Do mba'éichapa às primeiras frases: Russos aprendem guaraní
Mais de cem participantes assistem primeira aula aberta do idioma paraguaio em Moscou, surpreendendo pela rapidez na construção de frases
Em Moscou, o guaraní começa a ser pronunciado com sotaque russo. Mais de uma centena de pessoas participaram da primeira aula aberta do idioma paraguaio, em uma experiência que surpreendeu pela rapidez com que os alunos começaram a construir suas primeiras frases.
Para o linguista e antropólogo paraguaio David Galeano Olivera, a facilidade com que os estrangeiros aprendem a língua demonstra que muitas das dificuldades que lhe são atribuídas são, na realidade, mitos.
A iniciativa é impulsionada pela Embaixada do Paraguai ante a Federação da Rússia, em cooperação com a Biblioteca de Literatura Estrangeira Margarita Rudomino, o centro cultural localizado em Moscou.
O professor comenta que a primeira sessão se desenvolveu em modalidade híbrida e reuniu 102 participantes: 50 compareceram presencialmente e outros 52 acompanharam a atividade de forma virtual. "A expectativa não passava, talvez, de ter 10 alunos", lembrou Galeano Olivera ao destacar o interesse demonstrado durante as aulas.
OS ENCONTROS. A abertura contou com as palavras do embaixador paraguaio, Víctor Hugo Peña Bareiro, e da diretora geral da Biblioteca, Marina Pavlovna Zakharenko. O professor Galeano Olivera esteve a cargo da primeira lição, na qual combinou uma introdução aos origens da língua e da cultura guaraní com exercícios práticos.
O curso contempla oito encontros semanais e é gratuito. As aulas se desenvolvem às quartas-feiras, das 13:00 às 14:30, hora paraguaia, equivalentes às 19:00 em Moscou. Além disso, a biblioteca habilitou uma mostra de livros em guaraní de seu catálogo para que os visitantes possam conhecer mais sobre o idioma.
Galeano relatou que para facilitar o aprendizado, preparou um material básico com vocabulários e estruturas gramaticais de uso cotidiano. "Eu prometi a eles um total entre 250 e 300 palavras com as quais uma pessoa já pode se comunicar basicamente. Inclui os 80 verbos mais frequentes e suas formas em presente, passado e futuro, além de substantivos, adjetivos, advérbios e expressões habituais".
Isso para que os estudantes possam se comunicar por meio de orações simples em pouco tempo. Por isso, as aulas incorporam situações práticas, como as saudações, as apresentações pessoais e as perguntas cotidianas.
"Vocês não vão acreditar que na terceira aula eles já estavam falando", relatou Galeano Olivera, surpreendido pela velocidade com que os participantes começaram a utilizar o idioma. Segundo explicou, os alunos conseguiram construir frases a partir das estruturas que aprenderam durante os primeiros encontros.
Uma das chaves, em sua opinião, está na própria estrutura do guaraní, que apresenta características que podem resultar mais simples para os estrangeiros do que costuma se supor. Entre elas mencionou a ausência de certas distinções gramaticais obrigatórias em castelhano, como as variações de gênero e número nos adjetivos.
"Como o guaraní tem uma simplicidade única", sustentou o linguista, que questionou a ideia disseminada de que se trata de uma língua extraordinariamente difícil. "Criou-se simplesmente uma espécie de mito de que o guaraní é mais difícil que qualquer outra coisa que exista no mundo, mas tudo isso são fantasias".
Galeano Olivera também explicou que a conjugação verbal oferece elementos que os estudantes podem assimilar rapidamente. Diferentemente do castelhano, no qual as terminações dos verbos variam conforme a pessoa, em guaraní as mudanças se expressam principalmente por meio de prefixos. Esta característica permite reconhecer padrões e construir novas orações a partir de estruturas básicas.
MAIS. O interesse dos russos se soma a outras experiências internacionais do professor. Durante três anos ministrou aulas virtuais para participantes vinculados ao Instituto Austríaco para Estudos Latino-Americanos, entre eles linguistas.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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