Diretor de operações da FIFA denuncia que funcionários foram enganados com projeto Infantino
Em comunicado enviado à Associated Press (AP), Lamour assegura que "o projeto que suscitou tanta polêmica e debate não é um projeto da FIFA. E muito menos é um projeto da administração da FIFA. É o projeto de uma única pessoa".
"Os vice-presidentes da FIFA, os membros do Conselho da FIFA, as confederações, as federações, os jogadores, as ligas, os clubes e os torcedores não foram os únicos a quem se ignorou. A própria administração da FIFA também foi enganada", afirma.
Também assegura que "essa mentira por omissão durante muitos meses e esse exercício unilateral do poder não são trivialidades", mas que "são indicativos de uma falta de confiança, uma falta de transparência, uma falta de discernimento, uma falta de bom governo. E uma grave falta de respeito".
"Este projeto não apenas não deve seguir adiante — por razões óbvias que nem sequer é necessário enumerar aqui — mas chegou o momento de que os líderes políticos do futebol se façam as perguntas adequadas e tomem as decisões corretas. Em relação a este projeto e ao que virá depois. Todos devem assumir sua responsabilidade. Porque cada vez fica mais difícil para a administração da FIFA trabalhar nestas condições e cumprir sua missão", indica.
Lamour, que foi executivo da UEFA e se incorporou há menos de dois anos à FIFA, é muito crítico com o presidente desta, Gianni Infantino, em um texto no qual pediu respeito aos trabalhadores da organização, que, disse, "merecem algo melhor que o desprezo e a intimidação".
"Nossa missão — a missão das centenas de funcionários da FIFA, apaixonados, dedicados e exemplares — é servir ao futebol. Não servir aos interesses pessoais de uma pessoa que, infelizmente, acredita que encarna a FIFA quando supostamente deveria estar a seu serviço. Um presidente deve aproximar as pessoas, uni-las e inspirá-las. Hoje estamos vivendo o contrário", afirma após admitir que talvez perca seu emprego na FIFA, mas "dormirá tranquilo".
Nesta sexta-feira, o assessor do presidente da FIFA Carlos Cordeiro anunciou sua renúncia em razão de seu desacordo com a proposta do organismo de permitir a venda de participações da Copa do Mundo, algo que considera "prejudicial" para o futebol.
"Não posso ficar de braços cruzados enquanto a FIFA considera vender uma participação no Mundial. Quero deixar claro que não tive nada a ver com esta proposta e que me oponho a ela de forma inequívoca. É um mau acordo para as federações-membro da FIFA, um mau acordo para o futebol e um mau acordo para o futuro de longo prazo deste esporte", explica o executivo em comunicado divulgado em suas redes sociais.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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