Desigualdade e desordem na atenção oncológica no Paraguai
Situação atual da oncologia no Paraguai
A doutora Laura Cantero, porta-voz do gremio de oncologia médica, realizou uma análise sobre a realidade dos pacientes com câncer no Paraguai durante uma entrevista radial. Explicou que no país ainda persistem deficiências e desordem, apesar dos esforços institucionais e privados realizados nos últimos anos.
"Ainda estamos com deficiência demais e o mais chamativo é a desordem em que estamos, porque há lugares, instituições ou pacientes que podem estar tendo um excelente tratamento; porém, ao lado pode estar um paciente que não tenha nenhum acesso", apontou a especialista em oncologia clínica.
A doutora Cantero sublinhou que existe uma desigualdade muito marcada no acesso a tratamentos e serviços de saúde oncológica no território nacional.
Estrutura do sistema e cobertura
A especialista fez referência à Lei 6266/2018 de Atenção Integral às Pessoas com Câncer, que estabelece a obrigação de todas as instituições de fornecer atenção desde a prevenção até o tratamento do câncer.
Segundo sua análise, o Instituto Nacional do Câncer (Incán) deveria cobrir 100% da população, enquanto atualmente o Instituto de Previdência Social (IPS) cobre entre 18 e 20%, e a área privada representa uma proporção menor.
"O que ocorre hoje em dia é que vai ao seu seguro (privado), faz um diagnóstico e depois não pode continuar lá e vem ao IPS ou vai ao Instituto do Câncer. Então, sobrecarrega o sistema", explicou Cantero.
Problemas de articulação entre instituições
A presidente da Sociedade Paraguaia de Oncologia Médica ressaltou que entre o Incán e a previdenciária existe um grave problema de desabastecimento de fármacos, o que faz com que os pacientes tenham que se deslocar de uma instituição a outra em busca de atendimento.
Descreveu situações onde pacientes provenientes do setor privado acessam o IPS, o que gera percepções de sobrecarga nos sistemas. Porém, destacou que estes pacientes têm direito a receber atenção em todas as instituições conforme corresponda.
Necessidade de diagnóstico e planejamento integral
Cantero enfatizou que o tratamento do câncer requer múltiplos componentes coordenados, incluindo diagnóstico oportuno, radiologia, anatomia patológica e avaliação conjunta entre especialistas.
"O câncer é diagnóstico oportuno, é radiologia, é anatomia patológica, é uma avaliação conjunta. Embora as instituições principais se dediquem, procurem ter esses comitês, ainda não chegamos a um nível realmente bom que possa mudar a história", avaliou.
Quanto aos percentuais de remissão ou cura no Paraguai, a especialista indicou que estes dependem de múltiplos fatores como o tipo de câncer, as características do paciente, a oportunidade do diagnóstico e o local onde se recebe o atendimento.
Desafios pendentes
A especialista ressaltou a importância de melhorar o planejamento inicial do Instituto Nacional do Câncer para incluir 100% da população paraguaia, garantindo um acesso equitativo e coordenado aos serviços oncológicos em todas as instituições do sistema de saúde.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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