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Internacional

Descobrem sofisticada rede urbana de 3.000 anos na Amazônia equatoriana

19/06/2026 13:45 3 min lectura 12 visualizações
Descubren una sofisticada red urbana de 3.000 años en la Amazonía ecuatoriana

Um paisagem urbana milenar revelada pela tecnologia

O arqueólogo Alden Yépez, pesquisador especializado na Amazônia antiga da Pontifícia Universidade Católica do Equador (PUCE), orienta através de um extenso pastizal no sítio arqueológico de Huapula, localizado no vale do rio Upano, no leste do Equador.

Após avançar aproximadamente 30 minutos entre a densa vegetação tropical, emerge um conjunto de pequenos e íngremes morros que formam um padrão geométrico claramente artificial. Entre a grama alta se distinguem trilhas profundas e oito montículos organizados conforme uma estrutura deliberada. Uma dessas formações apresenta um corte transversal que deixa expostos estratos de terra argilosa de diversos tons.

Huapula constitui uma das redes de montículos artificiais mais densas encontradas até o presente no que arqueólogos denominam a "cidade perdida" amazônica do Equador: um vasto sistema composto por dezenas de agrupações similares distribuídas em uma ampla região.

Conhecimento antigo, descobrimento recente

Os arqueólogos locais tinham conhecimento de algumas dessas formações há aproximadamente 50 anos. Porém, a verdadeira magnitude dessa paisagem urbana de 3.000 anos de antiguidade veio à luz recentemente graças aos avanços em tecnologia de cartografia.

O estudo pioneiro na área foi realizado pelo padre jesuíta Pedro Porras, que após receber informações sobre as plataformas de terra de Huapula, iniciou suas investigações em 1978. À sombra do vulcão Sangay, Porras dedicou mais de 200 dias a escavar 15 zonas distintas do vale, gerando um dos registros arqueológicos mais importantes do sítio.

Durante as décadas de 1990 e 2000, os arqueólogos ampliaram seus trabalhos mediante escavações adicionais e cartografia preliminar. Um marco significativo chegou em julho de 2015, quando o Instituto Nacional de Patrimônio Cultural (INPC) do Equador decidiu cartografar uma área de 600 km² utilizando tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging).

A tecnologia que mudou a perspectiva

Técnicos do INPC sobrevoaram o vale em avião, disparando milhões de pulsos láser em direção ao solo. O sistema LiDAR emprega feixes de luz ultrafinos que se filtram através da vegetação densa, permitindo detectar e medir formações do terreno que seriam imperceptíveis mediante métodos tradicionais.

Esse descobrimento reconfigurou a compreensão sobre as antigas civilizações amazônicas. Por décadas prevaleceu a teoria de que os habitantes da Amazônia viviam unicamente em pequenos grupos nômades dedicados à caça e à coleta. Os novos achados reforçam em cambio a teoria de que provavelmente estavam organizados em civilizações sofisticadas, capazes de criar complexas redes urbanas planejadas.

Um urbanismo único e adaptado

Não obstante, à medida que se conhecem mais detalhes sobre esses montículos interconectados, fica evidente que não eram "cidades" no sentido clássico que se compreende atualmente. Tratar-se-ia, portanto, de uma forma de urbanismo única da selva amazônica: de baixa densidade e multicêntrica, que aproveitava tanto as vantagens quanto as limitações da floresta circundante.

Essa configuração urbana representa uma adaptação inteligente às características do entorno selvático, permitindo às antigas populações organizar seus assentamentos de maneira que otimizasse os recursos disponíveis e facilitasse a interconexão entre diferentes núcleos populacionais.

Interrogações sobre o futuro

Permanecem ainda sem resposta questões fundamentais a respeito de como e por que foi construído esse intricado mundo urbano, bem como quais serão as implicações do descobrimento para a região e suas populações atuais.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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