Deputado acusa o MEC de ser cúmplice em esquema de títulos
Raúl Benítez questiona anúncio do ministro Luis Ramírez sobre 250 certificados irregulares
O deputado Raúl Benítez sustentou que o Ministério de Educação e Ciências (MEC) forma parte central do esquema de produção, registro e validação de títulos universitários presumivelmente falsos, ao questionar o recente anúncio realizado pelo ministro Luis Ramírez sobre a detecção de aproximadamente 250 certificados irregulares.
Para o legislador, a revelação oficial chega com anos de atraso e não representa nenhuma novidade.
"O MEC não é somente um elemento a mais de todo o esquema, mas que é o pilar fundamental da venda de títulos falsos", afirmou Benítez.
Segundo explicou, a pasta educativa é a instituição encarregada de registrar e legalizar os títulos acadêmicos, outorgando-lhes validade para o exercício profissional.
O parlamentar assegurou que há três anos vem denunciando a existência de milhares de documentos presumivelmente fraudulentos e acusou o ministro Ramírez de ter mantido um "silêncio absoluto" frente aos avisos.
"Há três anos lhe estamos dizendo que há milhares de títulos falsos. Temos listas e documentação, mas o MEC nunca respondeu adequadamente", sustentou.
OCULTAMENTO. Benítez também denunciou que o MEC não responde pedidos de acesso à informação pública nem relatórios solicitados por legisladores sobre antecedentes acadêmicos de diversas figuras políticas.
Entre os casos mencionados citou seu colega Yamil Esgaib, e seu filho, o vereador Nasser Esgaib, sobre cujos títulos universitários existem questionamentos públicos respeito ao tempo em que habriam concluído suas carreiras.
"O mais grave é que não mostram os documentos. Os escondem. Nota-se perfeitamente o encobrimento", manifestou.
O deputado afirmou que a negativa em entregar informação alimenta as suspeitas sobre uma proteção institucional a pessoas vinculadas ao poder político.
RIVAS. Benítez sugeriu que o caso do senador cartista Hernán Rivas, questionado por sua formação acadêmica, não seria um fato isolado dentro da classe política.
"Há mais Hernán Rivas. Há uns quantos a mais", assegurou.
Inclusive adiantou que nos próximos dias impulsionará novas ações políticas e pedidos de informação para expor outros casos que, segundo disse, permanecem ocultos pela falta de transparência do MEC.
"Se o Ministério se anima a transparentar os documentos, van a confirmar que há mais de um Hernán Rivas no Congresso", sustentou.
O legislador também expressou desconfiança para com a comissão especial criada para investigar a expedição irregular de títulos universitários, presidida pelo senador Patrick Kemper. A seu critério, a instância poderia terminar desviando a atenção dos casos que envolvem políticos.
Adiam projeto para pedir título a representantes ante o Júri
A Câmara de Deputados viveu ontem um intenso debate durante o tratamento do projeto de lei impulsado pela deputada Rocío Vallejo, que busca estabelecer requisitos para a acreditação do título de advogado e a apresentação de antecedentes acadêmicos.
A discussão iniciou-se após o deputado César Cerini solicitar postergar o estudo da iniciativa por 30 dias, planteamento que gerou uma reação indignada de Vallejo.
A legisladora questionou as sucessivas dilações e acusou seus colegas de se oporem sem argumentos sólidos.
"Qual é o problema de estabelecer requisitos para ser membro do Júri de Julgamento? Ou querem que continuem alguns bandidos no Júri?", expressou durante sua intervenção.
Vallejo sustentou que o projeto já foi amplamente analisado em comissões e recordou que inclusive aceitou modificações ao texto original para alcançar consensos.
"Nem um dia a mais. Se têm medo de que a gente apresente seu título de verdade, rejeitem o projeto, mas basta de continuar adiando", afirmou, em referência ao caso do ex-senador Hernán Rivas, cuja formação acadêmica questiona-se.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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