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Economia

Dende prevê crescimento de 4% em 2026, mas com maior inflação

Organização civil alerta para consolidação de novo regime econômico internacional marcado por volatilidade e incerteza estrutural

07/05/2026 11:15 4 min lectura 0 visualizações
Dende prevé crecimiento del 4% en 2026, pero con mayor inflación

A Associação Civil Desenvolvimento em Democracia (Dende) divulgou sua perspectiva 2026 "O mundo em guerra, o país com turbulência" onde alerta sobre a consolidação de um novo regime econômico internacional caracterizado por maior volatilidade e presença mais frequente de choques, no que define como uma etapa de "incerteza estrutural".

A apresentação contou com os painelistas Alberto Acosta Garbarino, César Barreto Otazú, Humberto Colmán e José Tomás Sánchez.

Este cenário, segundo a análise, eleva os riscos de estagflação e de eventual crise alimentar, num contexto em que se projeta que o preço do petróleo se mantenha em torno de USD 86 por barril durante o resto de 2026.

O informe aponta que este choque, particularmente vinculado ao encarecimento do petróleo, impacta a economia através de múltiplos canais. Por um lado, o canal de combustíveis gera um aumento nos preços da gasolina e do diesel, o que se traduz em maiores custos de transporte e um efeito direto sobre os preços dos alimentos. A isto se soma o canal de fertilizantes, que encarecem os custos de produção agrícola e adiciona pressão adicional sobre os preços alimentares.

Em paralelo, o canal cambial provoca uma saída de capitais, uma apreciação do dólar e depreciação de moedas emergentes, enquanto que o canal financeiro se traduz em maiores níveis de inflação, um ambiente de incerteza, taxas de juros elevadas por mais tempo e redução dos investimentos.

Dende também observa que o padrão de refúgio em ativos seguros, conhecido como "flight to quality", se manifestou com menor intensidade do que em episódios anteriores, mantendo-se o dólar com uma leve apreciação com respeito ao ano anterior. Este comportamento contrasta com as expectativas prévias ao choque petrolero quando se projetava uma desaceleração da inflação, cortes de taxas de juros e um "soft landing" do crescimento global.

DÉFICIT EXTERNO E INFLUÊNCIA DE CAPITAIS. No âmbito local, mencionaram que o Paraguai apresenta sinais mistos. Por um lado, registra-se um influência de capitais externos em melhores condições, favorecido pela obtenção do grau de investimento e pela recuperação cíclica. Contudo, persistem desequilíbrios como o déficit comercial e de conta corrente.

O setor financeiro continua exibindo dinamismo, com uma expansão do crédito liderada pelo financiamento ao consumo, que registra um crescimento interanual de 23% em março. Ao mesmo tempo, a liquidez do sistema começa a se recuperar, apesar do menor crescimento dos depósitos.

Em matéria de taxas e inflação, a análise destaca que os níveis de juros se mantêm elevados e que se ampliou a brecha entre taxas em guaraníes e em dólares, o que pressiona a apreciação cambial.

Inflação. Assim mesmo, prevê-se um impacto inflacionário derivado do choque petrolero e do aumento nos preços dos alimentos. De acordo com o informe, a velocidade atual de alta de preços, considerando a inflação mensal média de 2026, já se situaria acima de 6% em alimentos devido ao incremento dos combustíveis, embora a projeção de inflação ao encerramento do ano se situe em 4,3%, superior à meta do Banco Central de 3,5% (±2).

Dende identifica uma forte apreciação do guarani, impulsionada por uma balança comercial sazonalmente favorável, o ingresso de capitais e as intervenções do Banco Central do Paraguai (BCP). Esta apreciação se situa inclusive acima da registrada pelo real brasileiro e ocorre na contramão da tendência global de fortalecimento do dólar.

O informe situa a faixa do dólar entre G. 6.300 e G. 6.494, destacando que os influências de capitais e as políticas do BCP explicam em parte este comportamento.

Em termos de atividade, observa-se uma desaceleração na economia.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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