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Tecnologia

Da exceção à rotina: A IA se torna um motor de desinformação

03/05/2026 13:45 4 min lectura 15 visualizações
De la excepción a la rutina: La IA se vuelve un motor de desinformación

Os dados coletados pelo Observatório Europeu de Meios Digitais (EDMO) mostram uma realidade evidente: os conteúdos manipulados com inteligência artificial (IA) para desinformar dispararam de forma sustentada nos últimos meses. Uma tendência que também se aprecia no trabalho da EFE Verifica.

Mas a mudança não é apenas quantitativa. A expansão dessas ferramentas não só facilita fabricar boatos cada vez mais críveis e adaptados à atualidade, como também alimenta o novo fenômeno de acusar um vídeo ou imagem de ser sintético para desacreditar provas autênticas.

Embora a evolução não seja completamente linear, os dados mostram uma tendência comum de alta. O ponto mais alto é alcançado em março, quando 34% dos desmentidos publicados pela EFE Verifica foram sobre conteúdos sintéticos. No conjunto da EDMO, essa proporção chegou a 20%, a maior porcentagem registrada em ambos os casos.

Além disso, essa subida coincide com uma sucessão de lançamentos de modelos de imagem e vídeo mais realistas e acessíveis desde setembro de 2025. Em poucos meses foram apresentadas ferramentas como Ray3, Sora 2, Veo 3.1, Firefly Image Model 5 ou Nano Banana Pro, todas com melhorias em geração audiovisual.

Essas ferramentas permitem fabricar imagens, vídeos ou áudios falsos e adaptá-los a quase qualquer conversa pública, aproveitando vazios de informação ou manipulando fatos reais para transformar a narrativa.

A IA se adapta com facilidade aos temas que ocupam a grade de atualidade em qualquer momento. Além de servir como propaganda, os eventos que monopolizam o debate público são objeto do chamado "AI slop", conteúdos sensacionalistas que buscam gerar cliques e interações e seu principal fim é a monetização.

Nas verificações da EFE Verifica entre setembro de 2025 e abril de 2026, os conteúdos sintéticos aparecem diretamente vinculados a eventos que marcaram a atualidade.

A guerra do Irã irrompeu com força em março e se situou como o principal foco de narrativas desinformadoras com IA. Antes, a captura de Maduro já havia provocado em janeiro uma onda de conteúdos sintéticos, enquanto outros assuntos como o caso Epstein, a imigração ou os acontecimentos virais concentraram materiais falsos desde setembro.

O padrão é claro. A IA pega com mais força onde há incerteza, tensão política, imagens impactantes ou pouca informação nos primeiros momentos.

Ainda assim, nem toda a desinformação gerada com IA é igual. Uma análise das verificações publicadas em março pelos membros do Iberifier na Espanha —Newtral, Maldita, Verificat e EFE Verifica— mostra que a inteligência artificial é usada sobretudo para fabricar cenas falsas, mas também pode gerar um ceticismo generalizado sobre provas autênticas.

Foi o caso dos conteúdos que acusavam o círculo próximo do primeiro-ministro de Israel, Benjamín Netanyahu, de publicar vídeos sintéticos sobre o mandatário, que, segundo se especulava nas redes, teria morrido em um ataque iraniano.

Os formatos visuais dominam as verificações sobre IA analisadas em março. O vídeo concentra mais da metade dos casos, seguido da imagem, enquanto os conteúdos vinculados a chatbots ou formatos mistos têm menos peso.

O vídeo predomina porque conserva uma força probatória que outros formatos não têm. Diante de uma imagem fixa ou de um texto atribuído a um chatbot, uma sequência em movimento costuma ser percebida como uma prova mais completa de que algo ocorreu.

Várias pesquisas sobre 'deepfakes' sugerem que o conteúdo audiovisual costuma gerar mais confiança que o verbal porque se aproxima mais da lógica de "ver para crer". A IA aproveita essa confiança à base de cenas que parecem gravadas ao vivo como supostas evidências.

Neste sentido, o impacto depende não só do realismo da cena, mas de que...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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