Cruzada entre Celeste e Mbappé reabre debate sobre lei contra discriminação
Classe política se posiciona sobre comentários racistas da senadora liberal e reivindica aprovação de projeto parado há mais de 20 anos
A classe política não tardou em se pronunciar para marcar distância das expressões da senadora liberal Celeste Amarilla sobre o jogador francês Kylian Mbappé, a quem tratou de "camaronês colonizado, fingindo ser duro francês, ressentido, rico novo, prepotente e feio".
O presidente do Congresso, Basilio Bachi Núñez, e o líder da bancada Honor Colorado no Senado, Natalicio Chase, qualificaram a publicação como racista e xenófoba.
Também legisladoras da oposição, como Johanna Ortega e Esperanza Martínez, compartilharam sua desaprovação, mas além disso ressaltaram a contradição dos cartistas levando em conta que está parado no Congresso um projeto que penaliza a discriminação.
"Há mais de 20 anos temos engavetada uma lei contra toda forma de discriminação. Agora se rasgam as vestes quem trancar qualquer debate relacionado com direitos. Debatamos a lei, debatamos a violência que há nesta sociedade e a responsabilidade dos meios e da política", reclamou.
Em 2004, o senador Carlos Filizzola (País Solidário) apresentou o projeto que evita e elimina a discriminação, mas depois o retirou para apresentar um documento mais completo em 2007 junto ao liberal Miguel Abdón Saguier, sob a denominação "contra toda forma de discriminação".
O projeto foi estudado em comissões, mas finalmente foi arquivado em 2014. No ano seguinte, o texto foi apresentado novamente, desta vez também com o apoio dos liberais Adolfo Ferreiro e Blanca Fonseca.
Até o momento não houve avanços no trâmite e seus projetistas já não estão cumprindo funções no Poder Legislativo, mas Esperanza Martínez se posicionou como impulsora atualmente.
Para a senadora por Participação Cidadã é necessário um debate real antes que "cinco minutos de fama" nas redes sociais.
"A discriminação não pode se esconder sob a bandeira da liberdade de expressão. Tampouco pode se usar a luta contra a discriminação para a revanche política, em especial por parte de quem fazem do ódio e da intolerância seu discurso e evitam qualquer avanço em matéria de direitos", disse em alusão a quem freia o projeto no Congresso.
Na sessão extraordinária da Câmara de Deputados, Johanna Ortega, de País Solidário, se referiu à dupla moral pela indignação, enquanto Paraguai é o único país na região que não conta com uma lei contra toda forma de discriminação. Reclamou que no país se persegue quem pensa diferente e se estigmatiza os povos indígenas.
"Se queremos realmente que Paraguai seja um país respeitado, temos que começar a respeitar nossa própria gente, temos que começar por garantir que todas as pessoas neste país sejam tratadas com a mesma dignidade, sejam paraguaios, sejam visitantes, sejam imigrantes, sejam pessoas de povos indígenas, sejam crianças, sejam pessoas com deficiência, sem importar sua origem, sem importar a cor de sua pele, sem importar sua identidade ou sua condição econômica ou suas convicções políticas, que são questões de profunda discriminação neste país", indicou.
Sobre esta possibilidade, os colorados mantêm uma postura cautelosa e o único que se pronunciou a favor foi Miguel Del Puerto, que afirmou que corresponde um debate a respeito porque não é a primeira vez que ocorre.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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