Crusoe e Araico formalizam acordo para centro de dados alimentado por energia de Itaipu
Associação estratégica em infraestrutura de inteligência artificial
Associação estratégica em infraestrutura de inteligência artificial
A empresa norte-americana Crusoe, especializada em infraestrutura para inteligência artificial, e a empresa paraguaia Araico, do setor energético e infraestruturalista, formalizaram um acordo para a construção de um centro de dados com suprimento direto da Usina Hidroelétrica de Itaipu. O anúncio foi realizado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos após a visita do vice-secretário Christopher Landau a Assunção.
Conforme o comunicado norte-americano, a instalação contará com acesso direto a uma das maiores fontes hidroelétricas de energia 100% renovável em nível mundial e proporcionará serviços de nuvem a clientes dos Estados Unidos e América Latina. Araico será responsável pelo desenvolvimento local e adequação do terreno adjacente à subestação de Itaipu, enquanto Crusoe operará a infraestrutura computacional.
Cronograma de implementação
A primeira etapa do projeto entraria em funcionamento em meados de 2027 com capacidade inicial de 106 MW, com possibilidade de ampliação até 280 MW.
Contexto regional e perspectivas institucionais
Itaipu Binacional esclareceu que a visita de Landau foi organizada pela margem paraguaia, sem participação da direção brasileira. A entidade explicou que este tipo de projeto não é competência da usina e que receber autoridades estrangeiras constitui uma prerrogativa de ambos os países parceiros de Itaipu, sem necessidade de autorização prévia.
A usina recordou que o Tratado de 1973 garante a cada país 50% da energia gerada, comercializada pela ANDE e ENBPar.
Análise de especialistas
Edmar Almeida, do Instituto de Energia da PUC-Rio, sustentou que uma redução da energia vendida não afetaria de maneira significativa o mercado regional, e que a viabilidade do negócio dependerá dos preços pactuados.
A revista de investigação Veja Negócios reconhece que o crescimento do consumo energético paraguaio se manteve durante anos, mas identifica uma mudança de orientação que busca utilizar a eletricidade excedente como matéria-prima para atrair investimentos, em vez de continuar com sua exportação.
Machado da Costa, jornalista brasileiro especializado em economia e relações institucionais, apontou que para Brasil isso representaria a ausência de uma carga energética com a qual o sistema elétrico se acostumou a contar por décadas, o que poderia incrementar custos energéticos do lado brasileiro.
Leonardo Paz, especialista em ciências políticas da Universidade Federal Fluminense, sugere que a iniciativa faz parte de uma estratégia geopolítica dos Estados Unidos orientada a ampliar sua influência na região.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.