Criticam governo por encobrir déficit de 3,2% e pedem transparência e previsibilidade
Durante o capítulo de oradores da Câmara Alta, vários legisladores abordaram a gravidade de o governo do presidente Santiago Peña ter encobrido o grave déficit fiscal. Criticaram a informação de que o déficit será o dobro, ou seja, não 1,5% como em princípio se pensava, mas sim de 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB).
De acordo com as críticas vertidas, o próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) teve que desmascarar os que fazem "negócio com dinheiro do Estado", segundo o senador Rafael Filizzola. Agora Peña e seu governo atuam como "lacaios" do organismo internacional e reportam a ele antes que ao Congresso e ao povo, sentenciou.
O senador Rafael Filizzola apontou que apenas quem está no governo vive um país de maravilhas às custas do erário público. Sustentou que a afirmação de que o governo se mantinha nos limites do percentual da responsabilidade fiscal (1,5%) foi algo que de fora veio a desmentir.
"Só entre Peña e seus ministros diziam que respeitavam a responsabilidade fiscal e estávamos no país das maravilhas, que é onde eles vivem; e mais quando você tem o dinheiro do Estado para fazer negócios, claro que vai ser o país das maravilhas. Mas isso não é tudo, eles mentiam (sobre o déficit fiscal) ao Congresso e ao povo paraguaio. Mas as mentiras não podem se sustentar para sempre", sustentou.
Leia mais: Déficit fiscal fechará em 3,2% este ano e em 2027 será de 3,9%, confirma ministro
Acrescentou que "teve que vir o FMI (Fundo Monetário Internacional) para que estes, como bons lacaios, tenham que reconhecer que estavam mentindo. Não foi por respeito, pelo Congresso e pelo Povo. Falta de dignidade total. Teve que reconhecer que o objetivo de cumprir com a dívida flutuante era mentira"; embora tenha acrescentado que não lhe dá confiabilidade cem por cento ao FMI.
Lamentou que apesar de o Congresso "não ter tocado uma vírgula" do orçamento ajustado que envia o Executivo, para não sair dos limites de responsabilidade fiscal, "havia sido" o governo que excedeu esse déficit por longe.
Por sua vez, o senador colorado dissidente Mario Varela disse que, devido à inflação, os preços sobem e se ressentem o poder aquisitivo. Lamentou que desde o Executivo não se tenham "sincerizado" com o galopante déficit fiscal.
"Coincidir na análise de que efetivamente deve haver uma política fiscal mais clara, transparente e previsível porque o déficit fiscal que se declara publicamente é um percentual mas, no entanto, todas as análises e especialistas de finanças públicas e privadas, coincidem em que o déficit está no 3,2% o que significa devemos nos sincerizar", disse.
O senador colorado cartista Gustavo Leite também apontou o déficit como algo muito sério. Neste sentido, evidenciou que existem gastos no Estado que podem continuar sendo reduzidos e defendeu que a Bicameral de Orçamento em seu momento trabalhe sobre esta necessidade.
Por enquanto, solicitou que na semana próxima se estude seu projeto pelo qual se transferem recursos de Organismos do Estado para o custeio de medicamentos de Saúde Pública.
Já anteriormente, havia manifestado que se devem reduzir USD 400 milhões de gastos desnecessários e financiar áreas sensíveis como saúde.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.