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Economia

Cota de carne na China reconfigura o negócio global: alerta no Brasil e oportunidades para a região

30/04/2026 12:00 3 min lectura 13 visualizações
Cuota cárnica en China reconfiguran el negocio global: alerta en Brasil y oportunidades para la región

O mercado internacional da carne bovina atravessa um momento de ajustes e redefinições, mas com uma perspectiva que começa a projetar oportunidades para frente.

O corretor de carnes José Viana, de São Paulo, em diálogo com Valor Agro, analisou o impacto das novas condições impostas pela China e as alternativas que se abrem para o negócio global.

Viana explicou que a decisão da China de estabelecer uma cota de importação para o Brasil — seu principal fornecedor — introduz um fator de incerteza no curto prazo. "A China estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas e até março já se consumiu 46%. No ritmo atual, pode se esgotar até o final de maio", assinalou.

No entanto, longe de um enfoque exclusivamente negativo, o operador destacou que este cenário também pode ser o ponto de partida de um reordenamento do comércio internacional com efeitos positivos nos preços. "Se o Brasil ficar limitado em seu acesso à China, e também a Austrália tem restrições, poderíamos ver um mercado muito mais firme no segundo semestre", sustentou.

Nesse sentido, projetou uma eventual recuperação de valores no principal destino mundial de carne. "Hoje estamos em torno de US$ 7.000 por tonelada, mas em um cenário com menor oferta, os preços poderiam escalar a níveis de US$ 8.000 ou mesmo US$ 9.000", estimou, marcando um horizonte claramente de alta.

Este contexto, além disso, abre uma janela de oportunidades para outros países exportadores. "Uruguay, Argentina e outros fornecedores podem ganhar espaço. Inclusive existe a possibilidade de importar carne do Brasil para abastecer o mercado interno e redirecionar produção para a China", explicou.

No nível do Brasil, embora o desafio seja importante por sua alta dependência do mercado chinês, também começam a se delinear alternativas comerciais. Viana destacou o crescente protagonismo dos Estados Unidos como destino. "Há escassez de gado nos Estados Unidos por pelo menos três anos, e isso gera uma demanda sustentada. Mesmo pagando tarifas, é um mercado atrativo", afirmou.

Em paralelo, as negociações entre Brasil e China seguem em andamento, buscando mecanismos que permitam sustentar o fluxo comercial sem afetar a competitividade. "Estão sendo avaliadas diferentes alternativas, tanto no nível governamental como dentro da indústria. É um tema central hoje para o Brasil", indicou.

Além da conjuntura, o corretor ressaltou que a demanda global de carne continua firme e que os fundamentos do mercado seguem sendo sólidos. "Estamos em um cenário histórico. Pode haver ajustes no curto prazo, mas o negócio segue tendo bases muito fortes para frente", concluiu.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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