Corredor Bioceânico: uma rodovia para transformar a logística nacional
O projeto do corredor viário Bioceânico representa mais que uma obra de infraestrutura viária. Constitui uma oportunidade para desenvolver novos negócios vinculados à logística, manufatura, produção agroindustrial e serviços, conforme coincidiram referentes do setor privado e autoridades.
Para Pablo Cuevas, gerente da Câmara Paraguaia de Exportadores (Capex), o potencial econômico do corredor dependerá de que o Paraguai e os países envolvidos consigam avançar em uma maior integração normativa e redução de entraves fronteiriços.
Cuevas apontou que atualmente existe uma diferença entre o corredor bioceânico ideal, projetado pelos governos, e o funcionamento real condicionado pelos controles e procedimentos atuais em fronteira.
"Há um corredor bioceânico ideal, que é o que todos pensamos que vai ser e estão os papéis projetados. Mas também existe um corredor bioceânico real, que é o sistema de controle que hoje temos entre o intercâmbio de mercadorias em fronteira".
Segundo o executivo, uma legislação homologada entre os países permitiria reduzir tempos e custos, gerando condições para um maior fluxo comercial. Estimou que se implementarem as medidas ideais, o crescimento comercial poderia multiplicar-se por mais de duas vezes, muito acima de um incremento de 30%.
Valor agregado e setores prioritários
Cuevas destacou que um dos principais benefícios estará na possibilidade de que o Paraguai deixe de exportar somente matérias-primas e avance para processos industriais com maior valor agregado.
Entre os setores com maior potencial mencionou a manufatura e o processamento de produtos agropecuários. Indicou que produtos como carne, soja e alimentos processados podem beneficiar-se significativamente, permitindo que o que hoje se exporta como matéria-prima possa processar-se e comercializar-se diretamente através do corredor.
O Chaco paraguaio será uma das zonas com maior impacto inicial, embora as oportunidades alcançarão todo o território nacional mediante uma maior integração com cadeias produtivas regionais.
Posicionamento logístico regional
O analista econômico Víctor Pavón destacou que o corredor pode posicionar o Paraguai como um dos principais centros logísticos da América do Sul ao conectar o oceano Atlântico com o Pacífico, desde o estado de São Paulo até o Chile. Segundo seu critério, o movimento de cargas gerará um efeito multiplicador em setores associados ao transporte e serviços.
"Vão circular milhares de caminhões, com tudo o que implica o traslado de bens. Isso gera um efeito multiplicador em comida, combustível, pneus e todos os serviços relacionados", afirmou.
Pavón sustentou que o impacto econômico pode ser comparável com grandes corredores comerciais internacionais e que a localização geográfica do país permitirá atrair novos capitais, empresas e postos de trabalho, especialmente na região Ocidental.
Mercosul e emprego
Pavón apontou que o corredor representa uma oportunidade para aplicar realmente o conceito de mercado comum dentro do Mercosul, com livre trânsito e menos obstáculos para o setor privado. Identificou que o principal desafio será pôr em execução o verdadeiro sentido da integração regional, assegurando livre trânsito e que o processo burocrático seja o menos gravoso possível para os atores econômicos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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