Coreia do Sul lança aplicação para que vítimas rastreiem acosadores em tempo real
As autoridades sul-coreanas anunciaram uma nova aplicação móvel com funcionalidades atualizadas que permite às vítimas monitorar a localização de seu acosador, desde que este se encontre sob vigilância eletrônica.
Por meio do uso de dados de localização provenientes de dispositivos como a tornozeleira eletrônica, a aplicação do Ministério da Justiça mostrará em um mapa a localização do infrator em tempo real.
Assim também, enviará um alerta a um centro de controle se este se aproximar de uma distância determinada, após o qual dito centro avisará a polícia ou ao agente de liberdade vigiada.
Melhoria com relação a versões anteriores
Uma versão anterior da aplicação, lançada em 2024, não permitia que a vítima rastreasse a localização do acosador em tempo real. Uma modificação da lei de vigilância eletrônica do país, realizada em dezembro de 2025, tornou possível o acompanhamento do paradeiro dos acosadores.
Espera-se que esta informação adicional sobre a localização também sirva para proteger as mulheres.
"Mostrará as estradas e edifícios próximos para ajudar as vítimas a se colocarem a salvo com maior rapidez", declarou Lim Hap-gyeok, diretor do Centro de Monitoramento Eletrônico Central do Ministério da Justiça.
Contexto mais amplo do problema
Os críticos sublinham que a magnitude do assédio na Coreia do Sul faz parte de um problema mais amplo de violência contra as mulheres que a tecnologia, por si só, não pode resolver.
O assédio não foi tipificado como delito grave até 2021. Embora a Coreia do Sul conte com leis sobre violência doméstica, estas se centram principalmente nos cônjuges e não abrangem adequadamente os parceiros sentimentais não casados, o que deixa importantes lacunas em comparação com outros países.
"Os autores de assédio ou violência no marco de um namoro costumam agir sem medo na sociedade coreana", afirma Heo Min-sook, pesquisadora legislativa.
Limitações de ferramentas anteriores
Um sistema anterior de relógios inteligentes, introduzido pela polícia em 2015, permitia às vítimas alertar as autoridades sobre sua própria localização com apenas pressionar um botão, embora não a do agressor, mas foi criticado por não proteger adequadamente as vítimas.
As críticas às ferramentas existentes ressurgiram em março de 2026, quando uma mulher que vivia nas imediações de Seul foi assassinada por um homem que, aparentemente, a assediava após terem terminado seu relacionamento. Ela contava com um relógio inteligente fornecido pela polícia e o suspeito tinha proibição de se aproximar dela devido a uma ordem de afastamento. Havia pressionado o botão de alarme apenas dois minutos antes do incidente.
Resposta de autoridades e possíveis alcances
O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, ordenou às autoridades garantir uma maior proteção para as vítimas de assédio, incluindo medidas para identificar a localização do agressor com maior rapidez.
O Ministério da Justiça espera resolver, em parte, este desafio por meio da nova função de rastreamento. Contudo, especialistas assinalam que a aplicação somente poderá rastrear aqueles agressores que estejam obrigados a levar dispositivos de monitoramento eletrônico, o que representa um número limitado de casos.
A proposta também suscitou um debate sobre a privacidade e a vigilância, aspectos que continuam sendo avaliados por especialistas e legisladores.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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