Contenção de gastos correntes é chave para equilibrar as finanças públicas
Diante das dívidas acumuladas com o setor da construção e as empresas farmacêuticas fornecedoras do Estado, o Ministério da Economia e Finanças (MEF) ajustou a projeção do déficit fiscal para 2026, aumentando-a de 1,5% para 3,2%.
Em relação a esta situação, o analista econômico Víctor Pavón apresenta que para alcançar equilíbrio nas finanças públicas é necessário reduzir os gastos correntes, referindo-se a conceitos como o pagamento de salários e aumento de funcionários públicos, bem como o pagamento por bens e serviços, partidas que podem ser ajustadas sem afetar significativamente a operatividade estatal.
"Se não se tomar o touro pelos chifres, isto pode desembocar em problemas. Há que se recordar o que levantou o anterior ministro da Economia, Fernández Valdovinos, que estamos em economia de guerra. Não agradou a muitos, mas deve-se fazer um orçamento realista que leve em conta a convergência que se tem que fazer", expressou Pavón em diálogo com a rádio 1000 AM.
Igualmente, Pavón reiterou a importância de reformar novamente a Caixa Fiscal, cujo déficit representa uma pressão crescente sobre as finanças públicas. O especialista apontou que a problemática não se circunscreve ao resultado fiscal de um único ano, mas que existem compromissos estruturais de gasto que podem continuar incrementando as necessidades de financiamento.
Segundo Pavón, a reforma da Caixa Fiscal constitui uma medida necessária para reduzir as pressões futuras sobre o Orçamento Geral da Nação (PGN) e fortalecer a sustentabilidade das finanças públicas.
Cabe lembrar que o presidente da República, Santiago Peña, promulgou a lei 7633 de reforma da Caixa Fiscal no início deste ano. Embora a normativa estabeleça um incremento nas contribuições e defina novos parâmetros de idade e contribuições para setores prioritários, especialistas como Víctor Pavón consideram que estas medidas não serão suficientes para conter o considerável déficit do sistema previdenciário público.
"O déficit fiscal vai subindo cada vez mais porque não se está fazendo o que deve fazer-se em qualquer economia: ordenar as contas fiscais", enfatizou Pavón.
De acordo com projeções do MEF, o déficit fiscal estimado para 2027 será de 3,9%, e projeta-se retornar ao limite de 1,5% em 2028, conforme estabelece a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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