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Paraguai

Conservação e desenvolvimento

13/09/2026 10:45 4 min lectura 289 visualizações

Neste cenário de urgência energética é que a eventual certificação de reservas de gás natural no solo chaqueño cobra uma relevância estratégica crucial. O gás poderia se converter na ponte de transição que o Paraguai necessita para assegurar sua estabilidade energética e financiar seu salto rumo à industrialização. Felizmente, as tecnologias atuais permitem que os projetos energéticos e extrativistas gerem um impacto ambiental mínimo, deixando para trás as práticas destrutivas do século passado. A coexistência entre o progresso e a ecologia não é uma utopia; é uma questão de rigor técnico e de investimento adequado.

Segundo o Plano Maestro da ANDE, para atender a demanda elétrica dos próximos 10 anos, o país requer um investimento monumental estimado em USD 20.000 milhões (desdobrados em USD 15.000 milhões para geração, USD 3.300 milhões em transmissão e USD 1.700 milhões em distribuição). Diante deste panorama, conseguir certificar o gás chaqueño representaria uma excelente notícia em um clima marcado pela constante ameaça de uma crise energética.

Recentemente, durante um fórum energético, Giuliano Franco, CEO da Zeus Energy e engenheiro elétrico especializado na economia do petróleo e do gás natural, apresentou a radiografia técnica e os números reais que respaldam o imenso potencial gasífero do subsolo chaqueño. Conforme detalhou, as prospecções na bacia de Carandayty ratificam um potencial estimado em 70 TCF (trilhões de pés cúbicos) de gás natural. Para dimensionar este volume a nível regional, o especialista explicou que equivale à totalidade das reservas provadas do Peru. Além disso, representa uma quantidade sete vezes superior à toda a produção histórica da Bolívia e corresponde a 10% dos descobrimentos totais da Argentina, que rondam os 800 TCF. Para certificar essas reservas, logicamente, serão requeridos investimentos milionários em novas perfurações. O ambicioso gasoduto bioceânico poderia ser a chave para garantir investimentos e colocar o país como um ator chave do futuro energético da região.

Não obstante, esta oportunidade histórica conleva uma condição inegociável. A eventual intervenção nos Médanos do Chaco e a busca de gás não podem ser concedidas como um cheque em branco. Todo o processo deve estar sob o estrito controle cidadão, garantindo o respeito absoluto aos direitos dos habitantes e o cumprimento irrestrito das medidas ambientais. O Estado deve abandonar seu histórico papel de espectador complacente e exercer uma fiscalização real; caso contrário, a promessa do gás terminará sendo uma catástrofe ecológica ou um negócio para poucos que nada aportará à região.

Me recuso a crer que os habitantes da zona ocidental se oponham cegamente ao progresso. Nenhum morador do Chaco rejeitaria a chegada de infraestrutura ótima, rotas transitáveis o ano todo, hospitais equipados e empregos de qualidade, desde que exista um verdadeiro respeito por seu ecossistema e se atue com absoluta transparência desde o princípio. A resistência cidadã nunca é contra o desenvolvimento, mas contra a depredação impune. Muitas vezes, essa oposição surge simplesmente do desconhecimento ou do temor ao incerto.

Essa mesma seriedade e rigorosidade que exigimos para a exploração do gás deve ser aplicada ao modelo de gestão que se avizinha. A incorporação do setor privado à geração de energia deve realizar-se com profundo patriotismo e estrito apego à legalidade. É inegável que essa abertura é vital diante das acuciantes necessidades de investimento que asfixiam o sistema e que o Estado não consegue cobrir por si só. Porém, a participação privada não deve traduzir-se, sob nenhuma circunstância, no descuido ou enfraquecimento de instituições-chave como a ANDE. Fortalecer nosso sistema elétrico e proteger nosso território são duas faces da mesma soberania.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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