Comunidades locais buscam ser retiradas da Lista de Patrimônio Mundial da Unesco
Um reconhecimento com consequências inesperadas
A Lista de Patrimônio Mundial da Unesco representa um dos máximos reconhecimentos internacionais para lugares de valor cultural e natural excepcional. Desde sua criação em 1978 com 12 sítios iniciais, expandiu-se até alcançar 1.248 localidades distribuídas em 170 países. Porém, essa distinção começou a gerar preocupações em algumas comunidades que a habitam.
O caso de Vlkolínec na Eslováquia
Nas montanhas do centro da Eslováquia encontra-se Vlkolínec, uma pequena aldeia medieval com arquitetura característica. Essa localidade abriga aproximadamente 20 residentes permanentes em 45 edificações de cores vivas, agrupadas em torno de um campanário do século XVIII.
Após ser incluída na Lista de Patrimônio Mundial em 1993 por sua arquitetura distintiva e bem preservada, Vlkolínec começou a receber mais de 100.000 visitantes anuais. Recentemente, alguns vizinhos expressaram sua preocupação, apontando que a designação e o turismo associado geraram mais inconvenientes do que vantagens para a comunidade, razão pela qual solicitam sua retirada da lista.
Tensões em Ngorongoro, Tanzânia
A aproximadamente 7.000 quilômetros de distância, na Tanzânia, a Aliança Internacional de Solidariedade Maasai solicitou que a Área de Conservação de Ngorongoro seja retirada da lista, um território rico em vida selvagem que abriga comunidades de pastores e oferece experiências de safári emblemáticas na África.
Segundo os habitantes locais, as políticas de conservação associadas ao status de proteção internacional ocasionaram o deslocamento de residentes de suas terras de pastoreio ancestrais, gerando conflitos sobre o uso e a administração do território.
Um debate sobre interesses em conflito
Essas situações ilustram um debate cada vez mais relevante: o que acontece quando os interesses das comunidades locais entram em conflito com os esforços internacionais por preservar lugares considerados patrimônio da humanidade.
A missão original da Unesco surge de iniciativas posteriores à Segunda Guerra Mundial para proteger lugares de grande valor cultural e ambiental ameaçados por conflitos, industrialização e desenvolvimento moderno. A designação como Patrimônio Mundial facilita o acesso a fundos internacionais para conservação, convertendo-a em uma ferramenta influente para a proteção do patrimônio global.
Êxitos documentados da proteção internacional
Os defensores da Lista de Patrimônio Mundial apontam exemplos bem-sucedidos como o Sistema de Reservas da Barreira de Recifes de Belize, retirado da lista de patrimônio "em perigo" em 2018 após implementar medidas de proteção ambiental mais rigorosas, e Angkor Wat no Camboja, onde décadas de trabalhos de restauração e conservação ajudaram a recuperar um sítio gravemente danificado por conflitos e saqueamento.
John H. Stubbs, especialista em preservação e ex-vice-presidente do World Monuments Fund, aponta que
"O princípio fundamental da Unesco gira em torno do patrimônio compartilhado: conservá-lo, celebrá-lo e reconhecê-lo como um logro da humanidade".
Patrimônio de importância universal
A lista inclui uma diversidade de sítios que vão desde monumentos mundialmente reconhecidos como Machu Picchu e a Grande Muralha Chinesa, até lugares menos conhecidos como as igrejas de madeira de Maramureș na Romênia e os antigos assentamentos em oásis de Aït-Benhaddou no Marrocos.
O crescimento constante da lista reflete o reconhecimento global de sítios considerados de "importância cultural ou natural excepcional para a humanidade", embora também tenha evidenciado a necessidade de equilibrar a preservação patrimonial com o respeito aos direitos e aspirações das comunidades locais.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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