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Paraguai

Compuesto: a arte de cantar histórias reais

06/09/2026 04:45 4 min lectura 345 visualizações

Uma vida dedicada ao compuesto

José Calazán, de 69 anos, é uma das principais referências do compuesto, um subgênero da música paraguaia caracterizado por narrar tragédias com um compromisso absoluto com a verdade histórica. O músico e comunicador dedicou grande parte de sua existência a este gênero em seu papel de compilador, compositor, intérprete e divulgador.

"Não posso dedicar-me inteiramente ao compuesto, mas também não posso abandoná-lo completamente", comenta Calazán, que nasceu na companhia Franco Isla Pukumi de Carapeguá, próximo ao lago Ypoá. Leva mais de 50 anos vinculado à música, disciplina à qual chegou através da influência de seus tios José Rosario Vega e Ciriaco Vega, bem como de seu vizinho Mauricio Medina.

"Comecei com a música aos 16 anos e me lembro de que escutava Mauricio cantar obras de Emilianore e entre estas músicas que cantava estavam os primeiros cinco compostos", relata.

O compuesto como narração do real

A característica fundamental do compuesto é que narra eventos e fatos que realmente ocorreram. "O que se canta no compuesto são sucesos, fatos que realmente aconteceram. Por exemplo, o naufrágio da lancha Myriam Adela em 1978. Isso aconteceu no porto Kemmerich, perto de Concepción. Na canção se conta o que aconteceu e se nomeiam os 113 mortos da tragédia", explica Calazán.

Trata-se de um gênero antigo que cumpre uma função social importante: transmitir através da arte a narração de fatos históricos que impactaram a sociedade. "Servia para que as pessoas soubessem o que aconteceu, porque antes não havia tele, nem rádio, nem celulares como agora", aponta.

Historicamente, este estilo musical funcionava como meio de informação sobre eventos ocorridos em diferentes regiões do país, em uma época em que não existiam meios de comunicação de massa. Os poetas e músicos permitiam que a população conhecesse estes sucesos. "Hoje em dia tudo conhecemos no instante, embora o compuesto continue sendo gravado, com histórias novas, porque ao povo continua agradando, quer escutar e também vêm e pedem para que lhes gravemos", comenta.

A ética da verdade

Calazán, que conta com mais de uma dúzia de discos gravados, enfatiza repetidamente qual é a ética fundamental do compuesto: não se pode inventar. A arte se atém a narrar o que efetivamente aconteceu, evitando os caminhos da imaginação criativa. Coloca-se assim uma missão milenar: contar aos contemporâneos as histórias de seu povo.

"Ndeikatúi emombe'u rei, ndeikatúi ekrea rei", sentencia, sublinhando a importância de relatar sem faltar à verdade.

Variedade de recursos musicais

O compuesto permite flexibilidade nos recursos musicais utilizados. "Pode-se fazer a narração, contar a história do compuesto em diferentes ritmos, seja com rasguido doble, guarania, polca, carreta guy, vários destes estilos já quase não se usam. É assim que as pessoas muitas vezes se aproximam de mim para pedir que coloque música a seus casos, suas histórias, às vezes me trazem letras", acrescenta Calazán.

Este gênero apresenta diferentes tipos de timbres instrumentais em seu acompanhamento e se centra fundamentalmente na narração de fatos de caráter trágico, como execuções, fuzilamentos, tragédias coletivas e outros sucesos que marcaram a história nacional.

Labor de divulgação pela rádio

Há 25 anos, Calazán trabalha na rádio Panamericana 93.5 de Carapeguá, espaço a partir do qual desenvolve seu trabalho como divulgador do compuesto. Através deste microfone e de outras iniciativas como a Fundação Oñondivepa e a organização Escritores do Nono Departamento, mantém viva esta tradição musical e tem acesso a novas histórias para documentar.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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