Sábado, 23 de Maio de 2026
ÚLTIMA HORA
Bem-vindo ao ParaguaiNews — as notícias do Paraguai agora em português Bem-vindo ao ParaguaiNews — as notícias do Paraguai agora em português
Política

Como serão os próximos governos no Paraguai

23/05/2026 10:45 4 min lectura 17 visualizações

O presente artigo aborda como se entende a autoridade no Paraguai. Inspiro-me em uma leitura –baseada em pesquisas históricas– de dois momentos que rodearam a conformação de governos distintos em diferentes épocas.

O Congresso de 3 de outubro de 1814 proclama como "Ditador Supremo" por cinco anos a Gaspar Rodríguez de Francia. Destes fatos, sempre me atraiu um comentário que sinalizava que Francia "observou fixamente" a reação adversa de muitos deputados contrários à sua designação.

Exatamente 140 anos depois, após o golpe militar de 4 de maio de 1954, um jovem general Alfredo Stroessner propôs a seu primeiro círculo político de então –conforme me relatou uma testemunha presencial– a abertura de rotas, modernização do transporte público, obras sanitárias e o soterramento dos cabos da cidade capital para dar maior aspecto de modernidade a Assunção.

A proposta produziu a rejeição dos hierarcas de maior peso do momento, pedindo-se que uma parte do butim fosse direcionada para estes. Dizem que Stroessner, assim como Francia, observou fixamente seus interlocutores, retirando-se do local, dando por encerrada a reunião. O resto é história.

Francia e Stroessner domesticaram seus rivais com um princípio básico do poder; tinham autoridade e a exerciam conforme os conceitos de sua época. Sempre, um dos desafios mais complexos do poder foi aplicar o que a ética grega definiu como a justiça distributiva; dar a cada um o seu diriam os antigos romanos.

Poder e autoridade são conceitos distintos. Enquanto o poder é circunstancial porque flui, muta, se transforma e se dilui, assim como o efêmero da vida humana, a autoridade em contrapartida prevalece e se prolonga inclusive além da existência pessoal de quem a emana, por uma série de fatores que não vêm ao caso analisar nesta ocasião, porém, concordemos no seguinte: Francia e Stroessner eram pessoalmente austeros, de costumes simples, muito provavelmente estoicos em seus modos de pensar e agir.

Hoje, esse aspecto fica em segundo plano considerando que como sociedade admiramos o sucesso financeiro como um princípio de autoridade sem nos darmos conta de que prevalece ante os olhos de muitos conterrâneos o anterior, o austero, não somente como sinônimo de inata autoridade, senão que também de comando.

Em meu artigo anterior socializava, a modo de presságio, estudos que preveniam sobre o devir dos futuros governantes do país, situando primeiramente os filhos de migrantes europeus chegados no século XX para logo voltar a transferir o poder já por meados deste século, a modelos do tipo militar, similares aos utilizados por Francia e Stroessner, porém com uma versão desse tempo.

Confesso que ditos resultados chamaram muito minha atenção até que encontrei umas conclusões que talvez lancem uma pista sobre a provável fonte que desencante a democracia e permita um retorno ao neoautoritarismo.

E o fato pontual é que o Paraguai mantém uma classe social privilegiada que necessita de ingentes fluxos de capitais para manter "seu esquema".

É nossa "realeza". Ela, que é um percentual ínfimo da população, compromete a República com empréstimos internacionais sem equilíbrio fiscal, aspecto chave para a manutenção da ordem social.

Seja como for, se os futuros governos não enfrentarem uma governabilidade baseada em inovação pública, conhecendo a verdadeira capacidade do Estado e delegando sua própria governança para áreas específicas como saúde, educação, economia, segurança e infraestrutura, em breve levarão a República para um colapso social. Disso falaremos em outra ocasião.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.

Comentários (0)

Entre con Google para comentar.