Como De la Espriella fez sua fortuna e os questionados negócios do vencedor das eleições na Colômbia
Empresário conservador alinhado com Trump e Milei financiou campanha presidencial, mas seus ingressos são alvo de críticas e investigações
Abelardo de la Espriella, o vencedor das eleições da Colômbia realizadas neste domingo, admite ser um sibarita.
Um dandi com sotaque caribenho que gosta de boa mesa, que passa temporadas em Florença e Miami, vende vinhos da Toscana e gravatas de seda italianas, usa relógios de luxo e dirige automóveis de potência extravagante.
"O conheço e não vive de maneira modesta; tem um trem de vida que requer recursos fortes", descreve o jornalista Ángel Becassino, que investigou a biografia do vencedor das eleições colombianas, conforme a pré-contagem e na falta da apuração oficial.
A fortuna de De la Espriella, um empresário conservador de mão dura alinhado com as direitas de Donald Trump, Nayib Bukele e Javier Milei na América, foi tema central de sua campanha.
Este advogado se vende como um empresário exitoso que financiou sua carreira presidencial com seus ganhos e créditos.
Nisso se baseou para defender sua condição de outsider, o que segundo ele lhe permitirá governar com independência dos poderes tradicionais do país.
Porém, seus ingressos também são questionados.
Críticos e rivais políticos debatem os vínculos de De la Espriella com clientes ligados ao paramilitarismo e casos de corrupção.
Congressistas democratas estadunidenses e investigações de meios como La Silla Vacía também levantam dúvidas sobre a transparência de suas atividades empresariais.
A origem de sua fortuna atrai olhares após impor-se na segunda volta contra Iván Cepeda, que buscava continuar a via progressista do atual presidente, Gustavo Petro.
Quem se perfila como presidente nos próximos quatro anos tem três nacionalidades: colombiana, estadunidense e italiana.
Nasceu em Bogotá, mas se criou em Montería, a capital do departamento de Córdoba na região caribenha da Colômbia.
"Vem de uma família de certo nível, de classe média um pouco alta, de um mundo com recursos com alguma fazenda", diz Becassino.
Desde pequeno, De la Espriella mostrou aptidão para os negócios.
Alugava seu videogame para outras crianças e vendia víveres no bairro, contou.
Mais tarde, quando se mudou para estudar direito na Universidade Sergio Arboleda de Bogotá, ampliou seus mercados.
Gerardo Reyes, um jornalista colombiano que também investigou parte da vida de De la Espriella, conta que "ali fez negócios; vendendo roupas, uísque e esmeraldas nos EUA".
Aqueles foram os primórdios de uma carreira em que acabou fundando dezenas de companhias, entre elas uma firma de advogados questionada, midiática e prolífica que catapultou seus ingressos e sua marca pessoal.
Após incursionar como representante musical, "de algum cantor de vallenato", conforme conta Becassino, De la Espriella encontrou a gallinha dos ovos de ouro no início de 2000.
O governo de Álvaro Uribe Vélez finalizava o chamado Acordo de Santa Fe de Ralito, um processo de desmovilização e paz para as Autodefensas Unidas da Colômbia.
As AUC foram um grupo paramilitar de extrema direita criado no final dos anos 90 para combater guerrilhas de esquerda e proteger interesses de empresários e camponeses locais.
Um dos epicentros do grupo foi o departamento de Córdoba.
Às AUC se atribuem crimes contra a humanidade, massacres e vínculos com o narcotráfico.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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