Começou à sombra de uma mangueira, hoje é uma escola modelo
O que hoje é uma instituição educativa consolidada, com mais de 500 alunos, salas climatizadas e aulas de informática, nasceu há 22 anos à sombra de uma árvore de mangueira, com quadros-negros pendurados nos ramos e crianças escrevendo sobre papelões. A história da Escola Básica N° 7351 "13 de Maio", localizada no bairro San Antonio de Ciudad del Este, é também a história de uma comunidade que se recusou a abandonar seus filhos e transformou a precariedade em esperança.
Corria o ano de 2004 quando o professor Amancio Noguera e a professora Evelyn María Martínez decidiram agir devido ao fato de cerca de 80 crianças terem ficado sem acesso à educação após o fechamento de outra instituição. Aquelas crianças chegavam até a Capela Virgem de Fátima buscando uma oportunidade, e ali começou o sonho de criar uma escola onde nenhum estudante fosse excluído por falta de recursos.
"Comecei com 80 alunos e hoje temos 587, desde o jardim até o nono ano", recordou emocionado Noguera durante a celebração do aniversário. "Mas começamos sob a planta da mangueira. Nem giz tínhamos. Usávamos o famoso carvão. Penduravamos o quadro-negro na árvore e os alunos vinham descalços", relatou.
Os primórdios foram marcados por enormes carências. As aulas se desenvolviam a céu aberto, utilizando caixas de tomate e pequenas cadeiras improvisadas porque não havia carteiras nem cadeiras. "Não tínhamos absolutamente nada. Trabalhávamos com muito esforço e ad honorem", recordou.
À tarde, os docentes organizavam vendas de chipa, empanadas e salada de frutas para arrecadar fundos e pagar as resoluções emprestadas que permitiam aos meninos obter boletins com validade oficial. "No ano de 2005 saímos para fazer um censo e encontramos 150 crianças de 10 e 12 anos que nunca tinham ido à escola", contou.
Aquela realidade impulsionou ainda mais o compromisso dos educadores, que começaram ensinando desde o pré-escolar até a sexta série somente no turno matutino.
Batendo portas
A comunidade educativa começou então a bater portas buscando apoio. "Quando Deus tem um propósito em todas as coisas, quando alguém se propõe, consegue", afirmou o diretor. Assim foi como a escola conseguiu obter o terreno graças à doação do advogado Víctor Enríquez, enquanto que a comunidade libanesa, liderada pelo cônsul sírio-libanês Mikhail Meskin, ajudou a construir o primeiro pavilhão.
A escola aparecia na mídia devido às precárias condições em que estudavam as crianças. "Diziam: 'Crianças da escola Mango devem enfrentar os rigores do clima'. E era verdade. Não importava o frio ou o calor; se não chovesse forte, as crianças assim mesmo vinham. Vinham descalças, mas com amor".
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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