Codehupy expressa preocupação sobre projeto de modificação do Estatuto Agrário
Preocupações sobre a proposta normativa
A Coordinadora de Direitos Humanos do Paraguai (Codehupy), juntamente com organizações camponesas e indígenas, expressam inquietação a respeito do projeto de modificação do Estatuto Agrário apresentado pelo Governo, sinalizando que poderia impactar na gestão de terras fiscais administradas pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural e da Terra (Indert).
A Codehupy destaca que a reforma agrária constitui um mandato constitucional pendente de cumprimento. Conforme dados apresentados, os médios e grandes produtores representam 7,3% do total de produtores, mas concentram 93,7% das terras cultivadas, enquanto a agricultura camponesa agrupa 92,7% dos produtores e ocupa apenas 6,3% da superfície.
"Esta profunda desigualdade exige fortalecer as políticas de acesso à terra e proteger o patrimônio público destinado à reforma agrária", expressa Codehupy em comunicado.
Aspectos específicos da proposta
As organizações identificam três pontos de preocupação sobre o projeto. Em primeiro lugar, sinalizam que a proposta amplia as faculdades da presidência do Indert para dispor a venda direta de terras, concentrando decisões sobre imóveis públicos e enfraquecendo os mecanismos de supervisão da Junta Assessora e de Controle de Gestão.
O segundo aspecto refere-se ao fato de que a normativa permitiria a venda de terras a pessoas que não sejam beneficiárias da reforma agrária, o que poderia desvirtuar o destino de imóveis públicos destinados a garantir o acesso à terra das comunidades camponesas.
Em terceiro lugar, as organizações advertem que poderia favorecer-se uma maior concentração de terra ao facilitar a acumulação e regularização de ocupações de terras públicas por parte de pessoas que não reúnem os requisitos estabelecidos para serem beneficiárias da reforma agrária.
Solicitações das organizações
As organizações camponesas e indígenas solicitam que não sejam aprovadas estas modificações e demandam um debate amplo, público e participativo com todos os setores envolvidos, especialmente as comunidades camponesas e indígenas.
Segundo os argumentos apresentados, caso sejam aprovadas estas disposições sem as devidas salvaguardas, o Estado poderia desfazer-se de terras destinadas à reforma agrária, reduzindo a disponibilidade deste patrimônio público para os sujeitos da reforma agrária estabelecidos pela legislação: as comunidades indígenas e camponesas que historicamente aguardam acessar a elas.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.