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Sociedade

Codehupy expressa preocupação sobre projeto de modificação do Estatuto Agrário

02/09/2026 23:45 2 min lectura 291 visualizações

Preocupações sobre a proposta normativa

A Coordinadora de Direitos Humanos do Paraguai (Codehupy), juntamente com organizações camponesas e indígenas, expressam inquietação a respeito do projeto de modificação do Estatuto Agrário apresentado pelo Governo, sinalizando que poderia impactar na gestão de terras fiscais administradas pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural e da Terra (Indert).

A Codehupy destaca que a reforma agrária constitui um mandato constitucional pendente de cumprimento. Conforme dados apresentados, os médios e grandes produtores representam 7,3% do total de produtores, mas concentram 93,7% das terras cultivadas, enquanto a agricultura camponesa agrupa 92,7% dos produtores e ocupa apenas 6,3% da superfície.

"Esta profunda desigualdade exige fortalecer as políticas de acesso à terra e proteger o patrimônio público destinado à reforma agrária", expressa Codehupy em comunicado.

Aspectos específicos da proposta

As organizações identificam três pontos de preocupação sobre o projeto. Em primeiro lugar, sinalizam que a proposta amplia as faculdades da presidência do Indert para dispor a venda direta de terras, concentrando decisões sobre imóveis públicos e enfraquecendo os mecanismos de supervisão da Junta Assessora e de Controle de Gestão.

O segundo aspecto refere-se ao fato de que a normativa permitiria a venda de terras a pessoas que não sejam beneficiárias da reforma agrária, o que poderia desvirtuar o destino de imóveis públicos destinados a garantir o acesso à terra das comunidades camponesas.

Em terceiro lugar, as organizações advertem que poderia favorecer-se uma maior concentração de terra ao facilitar a acumulação e regularização de ocupações de terras públicas por parte de pessoas que não reúnem os requisitos estabelecidos para serem beneficiárias da reforma agrária.

Solicitações das organizações

As organizações camponesas e indígenas solicitam que não sejam aprovadas estas modificações e demandam um debate amplo, público e participativo com todos os setores envolvidos, especialmente as comunidades camponesas e indígenas.

Segundo os argumentos apresentados, caso sejam aprovadas estas disposições sem as devidas salvaguardas, o Estado poderia desfazer-se de terras destinadas à reforma agrária, reduzindo a disponibilidade deste patrimônio público para os sujeitos da reforma agrária estabelecidos pela legislação: as comunidades indígenas e camponesas que historicamente aguardam acessar a elas.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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