Cientistas chineses descobrem o maior cemitério de baleias do mundo
Repartidos ao longo de um corredor de 1.200 quilômetros a oeste da Austrália, estes restos de cetáceos dão sustento a todo um ecossistema, no qual muitos organismos seriam desconhecidos para a ciência, segundo o estudo.
Os cientistas acreditam que tantas baleias morreram nesta zona porque é uma importante área de alimentação, além de se tratar de uma fossa em forma de V que canaliza os cadáveres para as profundidades marinhas.
É um "descobrimento realmente único", afirma o paleontólogo estadunidense Stephen Godfrey, que o compara com a primeira vez que se detectaram em 1977 fontes hidrotermais repletas de vida no fundo dos oceanos.
"O fóssil mais antigo, assim como numerosos crânios mais recentes, mostram que as 'quedas de baleias' se acumularam neste lugar de maneira ininterrupta durante pelo menos cinco milhões de anos", escreve em um artigo junto ao estudo de Nature.
Já se sabia que, quando as baleias morrem, seus corpos afundam no fundo dos oceanos e alimentam a fauna das profundidades, um fenômeno chamado 'queda de baleias'.
Mas os cientistas ficaram "estupefatos" quando compreenderam a dimensão do achado, segundo disse à AFP o principal autor do estudo, Xiaotong Peng, da Academia Chinesa de Ciências, que acessou o local em um pequeno submarino.
"Descobrir uma necrópole de tal magnitude foi totalmente inesperado: a amplitude da distribuição, a profundidade e a gama de idades superam tudo o que havíamos imaginado", explica o cientista.
Em 2023, os pesquisadores chineses realizaram 32 imersões a bordo do submarino "Fendouzhe" nesta zona do oceano Índico chamada Diamantina.
"Os ecossistemas florescentes que vimos nos ofereceram uma perspectiva completamente distinta do ambiente", diz Peng Zhou, coautor do estudo.
Ao redor dos esqueletos se afazendavam medusas, ofiúros (aparentadas com as estrelas-do-mar), vermes comedores de osso e moluscos bivalves.
A maioria dos 485 fósseis de cetáceos registrados pertence à família das baleias de bico, entre elas uma espécie até então desconhecida e hoje desaparecida.
Os autores, extrapolando a partir do número de fósseis encontrados, estimam que mais de 10 milhões de esqueletos poderiam estar no fundo do oceano na zona de Diamantina.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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