Chuvas favorecem cultivos de inverno mas não a safrinha
As chuvas registradas durante os últimos dias em diversas zonas produtivas do país estão gerando um impacto majoritariamente positivo para a agricultura, ao favorecer a recarga de umidade nos solos e o desenvolvimento dos cultivos de inverno. Não obstante, as precipitações persistentes também começam a representar dificuldades para a colheita de alguns cultivos que se encontram em sua etapa final, segundo informe da União de Gremios da Produção (UGP).
O panorama apresenta diferenças segundo a região, embora os produtores concordem que as chuvas foram generalizadas e oportunas para os cultivos em crescimento.
Boas condições. Última Hora buscou a opinião do presidente da UGP, Héctor Cristaldo, a respeito dos benefícios e não das chuvas copiosas dos últimos dias no interior do país.
A esse respeito, o gremialista explicou que, em termos gerais, os cultivos se encontram em boas condições, embora tenha alertado que a persistência de chuvas intensas poderia gerar inconvenientes, especialmente para o milho e a chia, que ainda se encontram em desenvolvimento.
Indicou que o milho está ingressando em sua fase final e que o excesso de umidade poderia elevar os percentuais de água nos grãos acima dos níveis habituais, o que se traduziria em maiores descontos no momento da comercialização nos silos.
Uma chuva como a de hoje (por ontem) em junho não é habitual por sua intensidade. Pode complicar o manejo dos cultivos, embora ainda seja prematuro falar de impactos nos rendimentos, assinalou.
Respeito ao trigo, explicou que as chuvas não afetam diretamente o cultivo nesta etapa inicial de crescimento, mas sim dificultam as operações de manejo, como as aplicações fitossanitárias, devido ao fato de que a maquinaria não pode ingressar nos lotes sem gerar compactação ou danos no terreno.
Sobre a próxima campanha de soja, cuja semeadura começará em setembro, Cristaldo lembrou que tanto a falta quanto o excesso de umidade podem representar obstáculos para a entrada das semeadoras. Nesse sentido, assinalou que o possível desenvolvimento do fenômeno climático El Niño exigirá um monitoramento constante das condições do solo.
O problema não é somente a chuva, mas a saturação de umidade. Se o solo está muito úmido, os tratores não podem entrar a trabalhar porque deixam pegadas e compactam o terreno. Há que esperar as condições adequadas para semear, explicou.
Por último, destacou que o Paraguai conta com um sistema de semeadura direta implementado em aproximadamente 95% das áreas agrícolas, o que ajuda a reduzir significativamente os riscos de erosão ante eventos de chuvas intensas.
Em termos gerais, as precipitações permitem recompor as reservas hídricas do solo e favorecem o desenvolvimento dos cultivos de inverno, enquanto o setor produtivo avança no encerramento da campanha de soja e milho safrinha e se prepara para as próximas etapas de produção.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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