Chuva de propostas: Legisladores exploram iniciativas para financiar o sistema público de saúde
Mobilização de médicos impulsiona debate no Congresso sobre novas fontes de receita e reajuste salarial
A Greve Nacional de Médicos, que começou na segunda-feira passada e mantém firme o reclamo de um reajuste salarial, terminou provocando um efeito político que até poucos dias atrás parecia difícil de imaginar: os legisladores começaram a multiplicar as propostas para encontrar dinheiro e destiná-lo à Saúde Pública.
A pressão da mobilização fez com que vários legisladores buscassem afanosamente alternativas de onde tirar os fundos. Sobre a mesa, aparecem opções para gerar novas receitas, reprogramar recursos e estabelecer um mecanismo de aumento progressivo.
O próprio Sindicato Nacional de Médicos (Sinamed) sustenta que o salário perdeu consideravelmente seu poder aquisitivo. Os profissionais reclamam que o orçamento 2027 contemple um reajuste, enquanto lembram que a arrecadação tributária cresceu fortemente nos últimos anos sem que essa evolução tenha se trasladado de maneira proporcional a suas remunerações.
Uma das propostas mais concretas apareceu nesta quinta-feira da mão da senadora dissidente Lilian Samaniego, que propõe estabelecer um novo piso salarial médico de G. 7 milhões mensais para cada vínculo de 12 horas semanais ou 48 horas mensais.
A iniciativa parte de um salário atual estimado em torno de G. 5,4 milhões e propõe um ponto intermediário entre a situação vigente e o reclamo sindical, que chega a G. 8 milhões.
Mas a particularidade da proposta não está somente no montante, mas no mecanismo: não propõe aplicar o aumento de uma única vez, mas distribuí-lo em sete etapas bimestrais durante 14 meses, e tampouco esclarece a fonte de financiamento.
O esquema estabelece que primeiro todos os médicos alcancem o novo piso de G. 7 milhões em seu primeiro vínculo. Apenas depois se avançaria sobre os segundos e terceiros vínculos.
De se completar o processo, um médico com dois vínculos perceberia G. 14 milhões e um com três vínculos chegaria a G. 21 milhões.
A proposta calcula um custo adicional de aproximadamente G. 36.480 milhões mensais uma vez implementada plenamente, equivalente a uns G. 437.760 milhões anualizados. O argumento de Samaniego é que o impacto não deve gerar-se de uma única vez, mas distribuir-se mediante uma programação orçamentária plurianual.
A parlamentar sustenta que ter dois ou três vínculos não implica necessariamente um privilégio, mas pode representar duas ou três cargas horárias efetivamente trabalhadas e responder às necessidades de cobertura do sistema.
Desde o Congresso surgiram propostas para aumentar a carga tributária sobre os produtos derivados do tabaco e destinar os novos recursos exclusivamente à Saúde Pública. A senadora Blanca Ovelar anunciou o reimpulso de um projeto que propõe um imposto equivalente a 2% do salário mínimo por cada maço de cigarros, uns G. 2.342 por pacote, segundo o cálculo divulgado.
A legisladora estimou que a medida poderia gerar ao redor de USD 700 milhões, recursos que poderiam ser utilizados, entre outros fins, para atender o reclamo salarial do pessoal médico.
"O imposto ao maço de cigarro não vai afetar o negócio", sustentou a legisladora ao defender sua proposta. A iniciativa, é claro, gerou a rejeição dos cartistas.
Igualmente, o deputado Adrián Billy Vaesken também impulsiona um projeto para aumentar 10% o imposto sobre bebidas alcoólicas com o objetivo de destinar a receita adicional à Saúde Pública.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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