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Internacional

Chaves da complexa crise que coloca em risco o Governo da Bolívia

Seis meses após assumir o poder, presidente centrista enfrenta convulsão social com protestas que demandam desde aumentos salariais até a própria renúncia

22/05/2026 10:45 4 min lectura 22 visualizações
Claves de la compleja crisis que tiene en vilo al Gobierno de Bolivia

"¡Fora Rodrigo Paz!", dizem pichações na capital política da Bolívia. Seis meses após assumir o poder, o presidente centrista enfrenta uma complexa convulsão social com um coquetel de reclamos, interesses e desacertos que dificultam uma saída para a crise, segundo analistas.

Em meio ao cansaço pela situação da economia, em seu pior momento em quatro décadas, uma onda de protestas escalou esta semana com seu epicentro em La Paz, cercada desde o início de maio por bloqueios de rotas que provocaram escassez de alimentos, medicinas e combustível.

DETONANTES. A Bolívia esgotou suas reservas de dólares para sustentar uma política de subsídios aos combustíveis. Logo após chegar ao poder em novembro, Paz os eliminou.

O preço duplicou e, além disso, as postos de gasolina começaram a vender combustível contaminado que danificou milhares de veículos, o que indignnou as pessoas, principalmente aos transportistas. A "gasolina lixo", chamaram-na.

Um segundo detonante foi o anúncio oficial de uma lei que convertia pequenas propriedades rurais em médias para facilitar aos proprietários acesso a crédito, mas campesinos indígenas a rejeitaram por temor de que terminassem nas mãos de bancos e posteriormente de latifundiários.

A politóloga Adriana Rodríguez apontou que setores da "Bolívia profunda" (campesina e indígena) votaram por Paz e ao "verem-se excluídos do poder político" começaram a pressionar, em meio à "mornidão do Governo" frente aos problemas.

Em campanha, prometeu estabilidade econômica e "um capitalismo para todos", onde o motor seja a gente e não o Estado.

"Há setores que tomaram posturas radicais, mas também outros que se mobilizam frustrados pelas expectativas que Paz gerou", opinou Daniel Valverde, analista e professor de ciência política.

RECLAMOS. Sem um único líder, o movimento de protestas se amplificou em maio com os professores, operários e mineiros.

Diante de uma inflação que em 2025 foi de 20%, a poderosa Central Operária Boliviana (COB) reclamou aumento salarial pelo mesmo percentual e os professores uma aposentadoria com seu salário total.

"Cada um puxa para seu lado, responde a certos interesses, a certos grupos", apontou a politóloga Daniela Osorio-Michel, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (GIGA).

Para a também politóloga Ana Lucía Velasco "há motivações políticas de aproveitar os erros e desacertos do governo para ganhar capital político para o movimento de oposição e de rearticulação da esquerda".

Ao prolongar-se a crise, passou-se a exigir a renúncia do presidente. O Governo denunciou na quarta-feira que grupos de manifestantes buscam alterar a "ordem democrática".

EVO. O Governo de Paz, que pôs fim a 20 anos de governos socialistas, acusa o ex-presidente Evo Morales (2006-2019) de estar por trás das protestas com o objetivo de voltar ao poder. Uma marcha de seus seguidores chegou na segunda-feira a La Paz.

"O Governo joga a polarizar e estigmatizar a Evo Morales como o único responsável por tudo que está acontecendo, mas cometeu erros e desacertos que escalaram a situação", disse Velasco.

Foragido por um caso de presumida trata de uma menor e refugiado desde 2024 na zona cocalera do Chapare (centro), Morales denuncia um suposto plano de Washington para detê-lo ou até mesmo matá-lo com o apoio do governo de Paz.

Sem mencioná-lo, os EUA, que com Paz ganharam outro aliado na América Latina, asseguraram que a Bolívia enfrenta uma tentativa de "golpe de Estado" e não deixarão que "criminosos e narcotraficantes" derrubem um líder democrático.

Valverde estimou que o líder cocalero, embora tenha tido grande poder de convocação, "está muito trincheirado"; e Osorio-Michel recordou que "os resultados da última eleição mostraram um desencanto da população para com ele".

GUERRA DE DESGASTE. "Muito pouco. Uma vez que as demandas se escalam...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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