Chancelaria segue em silêncio após declarações de Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança: como agiu em outros casos?
Ministério não se pronuncia oficialmente sobre afirmações do presidente brasileiro, enquanto oposição questiona postura da política externa
O mandatário Santiago Peña encontra-se com o ministro de Relações Exteriores, Rubén Ramírez Lezcano, no Peru, no marco do juramento da nova presidenta Keiko Fujimori, realizado nesta terça-feira.
Na segunda-feira, quando Peña havia recém partido para o Peru, seu vice Pedro Alliana, agora presidente em exercício, emitiu uma declaração na qual qualificou a Guerra da Tríplice Aliança como um capítulo vergonhoso e pactado a partir de um tratado funesto para destruir o Paraguai.
Alliana havia apontado aquela guerra, que massacrou nossas crianças, queimou hospitais e saqueou Assunção, enluta a memória.
"Estamos trabalhando pelo futuro, mas a devolução do canhão cristão, dos arquivos e das relíquias históricas por parte do Brasil poderia ser um gesto de fraternidade que ajude a reparar este passado", manifestou Alliana em suas redes sociais.
Senadores da oposição e da base governista expressaram também seu repúdio e pediram um posicionamento da Chancelaria paraguaia com respeito às expressões do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que justificou o gasto atual nas Forças Armadas ao recordar a Guerra da Tríplice Aliança, na qual se enfrentou ao Paraguai, alegando que invadiu seu país.
Em casos muito menos relevantes, a Chancelaria havia emitido dois comunicados. Um, convocando o embaixador francês em junho de 2025 por dizer que Santiago Peña "viajava muito", e outro, no início de julho deste ano, onde se deslindava dos comentários da senadora Celeste Amarilla sobre o jogador Kylian Mbappé, a quem se dirigiu com expressões qualificadas como racistas.
Contudo, após as declarações de Lula, que afirmou que o Paraguai invadiu o Brasil, o Ministério de Relações Exteriores não tornou pública sua postura a respeito.
A política exterior do Paraguai com o Governo de Santiago Peña é questionada por partidos e movimentos opositores, primeiramente, pelo apoio incondicional a todos os interesses dos Estados Unidos perante a Organização das Nações Unidas (ONU).
Nesse sentido, algo que apenas o Paraguai, Estados Unidos, Argentina e Israel, entre outros países e estados em minoria rejeitaram, foi a entrada de ajuda humanitária em Gaza durante uma votação na ONU em dezembro de 2024. A resolução não vinculante havia sido aprovada por uma maioria de 137 países.
Na nota, exigia-se a Israel deixar de bloquear a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Estima-se que 73.300 pessoas morreram desde o início do conflito em 7 de outubro de 2023.
Entre as críticas dos opositores, aponta-se também que a Chancelaria teve uma mudança "genuflexa" aos interesses dos Estados Unidos em troca do levantamento das sanções de Horacio Cartes, ex-presidente da República e atual titular do Partido Colorado.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.