CDE: Somarão responsáveis por polêmicos cartazes exibidos
Imagens ofensivas com Bolsonaro em painel publicitário desencadeiam investigação administrativa e denúncia à Fiscalía
A difusão de imagens consideradas ofensivas para o Paraguai em um painel led localizado em um dos acessos mais importantes do país resultou em uma investigação administrativa, denúncias à Fiscalía, um debate sobre a segurança dos sistemas publicitários digitais e até incidentes que terminaram com danos materiais à estrutura envolvida.
A polêmica eclodiu na manhã de ontem, quando centenas de motoristas e pedestres observaram em um painel publicitário instalado sobre a Rota PY02, na zona primária de Ciudad del Este, uma imagem que mostrava o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro agredindo um jogador da Seleção Paraguaia, acompanhada de frases que faziam referência a uma suposta superioridade do Brasil sobre o Paraguai tanto no futebol quanto na política.
A instituição municipal qualificou as imagens como ofensivas e atentórias contra a dignidade, o patriotismo e a imagem do Paraguai. Funcionários municipais compareceram ao local para coletar informações sobre o ocorrido.
O sumário administrativo busca determinar como se produziu a difusão do conteúdo e quais são as responsabilidades das empresas vinculadas à estrutura publicitária. Além disso, informou que será apresentada uma denúncia formal perante o Ministério Público para que se investigue o caso desde o âmbito penal.
A Municipalidade solicitará relatórios às empresas Fast Print e Publimix, relacionadas com a estrutura publicitária instalada em um espaço que se encontra sob domínio do Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), e que foram utilizadas para os anúncios polêmicos.
COMPETÊNCIA. A Comuna recordou que há vários anos perdeu competências sobre as estruturas publicitárias localizadas sobre a Rota PY02 e a Supercarretera. Segundo explicaram, atualmente a autorização, habilitação, fiscalização e controle desses espaços corresponde exclusivamente ao MOPC, razão pela qual exigiram uma intervenção imediata dessa pasta estatal.
O Ministério de Obras Públicas esclareceu, mediante comunicado, que "não autoriza cartazes publicitários na faixa de domínio em nenhum ponto do país".
Acrescenta que segundo a Lei 5016/2014 "De Trânsito e Segurança Viária", artigo 43, fica proibida toda propaganda comercial, construção ou objeto que afete a visibilidade do condutor.
A pasta estatal esclareceu ainda que retira de forma imediata cartazes, pórticos e outras instalações irregulares. "É uma luta diária contra quem insiste em colocar em risco vidas humanas através da colocação dessas estruturas", mencionou.
A polêmica também chegou à Junta Municipal de Ciudad del Este. A presidenta Alison Anisimoff qualificou o episódio como uma grave falta de respeito para com o Paraguai e anunciou que impulsionará ações institucionais para repudiar o ocorrido.
"Isto é uma falta de respeito a todos os paraguaios", manifestou, ao acrescentar que o fato resulta particularmente grave pelo fato de ter ocorrido em uma das principais portas de entrada do país. Antecipou que convocará uma sessão extraordinária para analisar medidas institucionais e exigir sanções contra os responsáveis.
INCIDENTES. Um grupo de pessoas autoconvocadas reuniu-se em frente a um dos cartazes digitais onde foi publicado o anúncio polêmico, e procedeu a ocasionar danos materiais ao mesmo, conseguindo destruir parte de sua estrutura e afetar seu funcionamento.
A Polícia realizou cobertura preventiva para evitar enfrentamentos, preservar a ordem pública e garantir a segurança das pessoas presentes, além de coletar informações para as atuações correspondentes.
A repercussão do caso também levou a empresa New Zone Importados, cujo nome pode ser observado na parte inferior dos cartazes, a pronunciar-se. Esclareceu que não tem nenhuma relação com a difusão das mensagens questionadas. Rejeitou qualquer envolvimento com o conteúdo apresentado e reafirmou seu compromisso com as práticas comerciais responsáveis.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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