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Paraguai

Propõem elevar participação da agricultura familiar no programa Fome Zero para 40%

Iniciativa legislativa busca aumentar gradualmente compras de produtos nacionais entre 2027 e 2028

14/07/2026 23:45 3 min lectura 21 visualizações

Nova iniciativa legislativa para fortalecer a agricultura familiar

A Comissão Permanente de Desenvolvimento Agropecuário e Combate ao Contrabando do Senado, presidida pelo senador Colym Soroka, apresentou uma proposta legislativa orientada a incrementar a participação de produtos de agricultura familiar nas compras do programa Fome Zero, aumentando dos atuais 10% para 40%, com implementação gradual entre 2027 e 2028.

O anúncio foi realizado após uma mesa de trabalho com representantes de diversos sindicatos de produtores frutihortícolas do país, incluindo a Mesa Nacional Intersetorial de Competitividade da Banana (Menicob), a União Nacional de Produtores Frutihortícolas, o Sindicato de Produtores Frutihortícolas do Paraguai e a Câmara de Produtores de Cenoura de Itapúa.

Objetivos e mecanismos da proposta

Soroka explicou que o projeto busca garantir uma maior participação da produção nacional nas licitações do programa Fome Zero, independentemente da instituição que o administre. A iniciativa estabelece que o percentual mínimo de compras a produtores nacionais chegue a 20% em 2027 e alcance 40% em 2028.

Além disso, o projeto propõe modificar o mecanismo de comercialização para que as aquisições sejam realizadas diretamente através de comitês, associações e cooperativas de produtores registrados no Serviço Nacional de Qualidade e Sanidade Vegetal e de Sementes (Senave), com o propósito de reduzir a intermediação e assegurar que os benefícios cheguem de forma direta aos agricultores.

O senador indicou que a proposta também contempla sanções para as empresas adjudicadas que descumprirem com o percentual mínimo de compras de produtos nacionais. Igualmente, apontou que solicitarão informações detalhadas sobre as empresas fornecedoras do Fome Zero para socializar as mudanças e promover investimentos em infraestrutura de armazenamento, como depósitos refrigerados e de conservação.

Capacidade de formalização do setor produtivo

Soroka rejeitou questionamentos a respeito da formalização do setor, afirmando que a grande maioria dos produtores conta com a documentação tributária e sanitária requerida, e assegurou que o país dispõe de capacidade suficiente para abastecer o programa com produtos de qualidade.

Situação atual das compras nacionais

O porta-voz do Sindicato de Produtores Frutihortícolas do Paraguai, Máximo González, apoiou a iniciativa ao apontar que atualmente as compras de produção nacional alcançam apenas cerca de 8%, apesar de a normativa vigente fixar um mínimo de 10%.

González afirmou que os produtores demonstraram capacidade para abastecer de maneira sustentada o mercado interno e até exportar frutas e hortaliças, como ocorreu durante as campanhas 2024-2025. Lembrou que o consumo nacional de tomate ronda os 200.000 quilos diários e sustentou que existe produção suficiente para atender tanto a demanda local quanto a do programa Fome Zero.

Garantia de qualidade e rastreabilidade

González destacou que aproximadamente 250.000 propriedades registradas contam com sistemas de rastreabilidade e inocuidade, o que permite garantir a qualidade dos alimentos. Nesse contexto, insistiu em que as compras devem ser canalizadas através de organizações de produtores para facilitar a comercialização, evitar a exclusão por questões administrativas e fortalecer o desenvolvimento econômico da agricultura familiar camponesa.

Benefícios esperados

Os representantes do setor concordaram em que ampliar a participação da produção nacional no Fome Zero contribuirá a gerar maiores ingressos para as famílias rurais, fortalecer a segurança alimentar e reduzir a dependência de produtos importados e do contrabando.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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