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Paraguai

Cartazes

04/06/2026 11:00 4 min lectura 7 visualizações

Aquela manhã, após um sono perturbado, a avenida de entrada e saída do país na Ponte da Amizade apareceu convertida em uma passarela de cartazes nada amistosos escritos em português.

Neles podia-se ver um sujeito muito parecido com o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro golpeando um homem vestido com as cores da Albirroja na grama de um estádio de futebol.

"Brasil mandou e fez o que quis na cancha e na política". "No futebol goleada, na economia liderança". "Na diplomacia respeito", eram as frases que podiam ser lidas. Moopio!

A reação foi imediata, criando um fervilhão de indignação ao longo e largo dos 406.752 quilômetros quadrados. Um grupo de cidadãos, acesos de raiva, empunhou o cartaz da Justiça por mão própria e procedeu a derrubar e queimar alguns daqueles anúncios.

Outros decidiram se apropriar do cartaz de heróis da palavra e, em uma medida que ficará nos anais da retórica, contra-atacaram com Paraguai Mbarete.

Até agora aparece um grande cartaz com o sinal de interrogação ao não se saber como foi possível que aqueles anúncios de supremacia fossem colocados à vista de todos com total impunidade e em uma das cidades mais movimentadas do país.

As autoridades também se apropriaram do cartaz de patriotas de primeira hora. Foram seus peitos as muralhas que defenderam as afronta ao teu ser, ó, pátria querida!

Passemos por alto o pequeno detalhe de como há pouco tempo, ao aprovar o acordo SOFA com os EUA, empunhavam um cartaz onde basicamente diziam ao país do Norte que desfrutasse à vontade desta parte de seu quintal traseiro, já que ninguém os incomodaria para nada.

Também na semana passada Santiago Peña, um dos três presidentes da República, escolheu se apropriar do cartaz de arrogante. Diante da pergunta de uma jornalista sobre sua declaração jurada, insinuou que ela poderia estar recebendo dinheiro do clã Rotela "para atacar" o presidente.

Não era acaso mais fácil dizer que a pergunta poderia ser encaminhada à Controladoria ou que tudo estava no relatório que já havia apresentado?

Ah, não nos esqueçamos dos horrores e pubertários que com certeza levantarão seu cartaz de moleques como fizeram naquele momento.

Já que estamos nisso, como sociedade civil podemos elaborar vários cartazes com as tarefas que temos pendentes e podemos cumpri-las nos momentos de indignação.

Por exemplo, poderíamos levantar o cartaz da defesa do meio ambiente e das comunidades ancestrais que são atropeladas pelas plantações de soja transgênica.

Há décadas estas grandes parcelas de cultivos, muitas delas de brasileiros, têm cobrado seu preço à terra e ao ecossistema, mostrando assim um grande cartaz que alerta sobre suas consequências.

Do jeito que vamos, que não o surpreenda acordar uma manhã qualquer e se ver com uma parcela de soja na porta de sua casa enquanto o pulverizador avança para lhe dar os bons e últimos dias.

Também podemos levantar o cartaz da dignidade e deixar de celebrar que este país seja o destino escolhido como ideal, não por suas paisagens ou climas, mas porque podem rir das leis trabalhistas. E da obrigatoriedade das vacinas e etc, etc, etc.

Mas em uma semana mais, já estaremos em outra sintonia. Após uma espera de 16 anos, voltaremos a escrever em diversos cartazes a paixão que move a Albirroja.

Ali aparecerão os cartazes de "Façamos um churrasco", "Juntemo-nos para ver o jogo", "Quanto você vai pôr?", "Não avisa para fulano nem, além disso que não coloca nada é mais trago guasu que camelo com febre de gripe".

Junte-se você também, se quiser, apesar dos infames. Dê livre curso àquele desejo de desfrutar desta festa. Sobretudo, levante esse cartaz com letras bem grandes onde diga que ninguém, mas ninguém, tem direito de roubar-lhe a alegria.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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