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Economia

Carne paraguaia está sob pressão pela crise do Brasil

Suspensão de exportações brasileiras para a UE gera incerteza no mercado regional

09/09/2026 07:45 4 min lectura 310 visualizações

A suspensão das exportações de carne do Brasil para a União Europeia (UE) gera um cenário de incerteza para o mercado regional e poderia incrementar a pressão competitiva sobre a carne paraguaia, segundo advertiu Daniel Burt, gerente geral da Câmara Paraguaia da Carne, em declarações à Rádio Nacional do Paraguai.

Burt questionou que poucos meses após a assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, comecem a surgir medidas que, em seu entender, se afastam do espírito de abertura comercial que buscava o acordo. Ainda que a situação afete diretamente o Brasil, sustentou que suas consequências podem se estender aos demais países do bloco.

O executivo explicou que Brasil deverá relocar parte da carne que já não consegue colocar na Europa, a que se soma uma cota imposta pela China. Isso poderia levar o gigante sul-americano a competir com maior agressividade em mercados relevantes para o Paraguai, especialmente Chile e Estados Unidos.

"O que ocorre ao Brasil não é necessariamente positivo para o Paraguai", sustentou Burt, ao assinalar que, embora eventualmente possam surgir oportunidades para que frigoríficos paraguaios ganhem alguns clientes na Europa, a entrada de maiores volumes brasileiros em outros destinos poderia terminar deslocando a produção paraguaia.

Chile, estratégico. Entre os mercados que poderiam sentir com maior força essa competência figura Chile, considerado estratégico para o Paraguai. Burt destacou que o país transandino tem a vantagem de adquirir praticamente todos os cortes da res, diferentemente de outros destinos onde os compradores se concentram em determinados cortes.

"Chile te compra tudo e ainda podem estar na gôndola uma semana", explicou. A isso se soma a vantagem geográfica, já que o transporte para Chile resulta consideravelmente mais fácil e rápido que para outros mercados de maior distância.

Europa, por outro lado, representa para o Paraguai menos de 5% de suas exportações de carne em volume, mas constitui um destino de alto valor devido aos preços que se obtêm por determinados cortes e à existência de nichos de consumidores.

Cota igualitária. Outro dos pontos centrais levantados por Burt é a distribuição da cota que eventualmente corresponda ao Mercosul dentro do acordo com a União Europeia.

Segundo explicou, os europeus permitem que os países do bloco acordem internamente como dividi-la, mas enquanto não exista um consenso se aplica o critério de "o primeiro que chega, utiliza a cota".

Nesse contexto, a Câmara Paraguaia da Carne sustenta que o Paraguai deve receber uma participação igualitária em relação a seus sócios do Mercosul. "Partimos do princípio da igualdade. Somos sócios iguais do Mercosul como os outros e os acordos que consegue o Mercosul consideramos que temos que receber uma parte igualitária", afirmou.

Burt mencionou que existem mecanismos que permitem redistribuir posteriormente as cotas que algum país não consiga utilizar. Citou como exemplo o sistema aplicado atualmente com Colômbia, mediante o qual a parte da cota que não é utilizada por um país volta à mesa e pode ser aproveitada pelos demais.

Em seu entender, o caso brasileiro demonstra a importância de estabelecer regras equitativas. Brasil havia solicitado uma participação maioritária da cota, mas agora enfrenta restrições sanitárias para ingressar na Europa, por isso a distribuição poderia adquirir uma nova dimensão nas negociações.

O gerente da Câmara Paraguaia da Carne destacou que o Paraguai atravessa um momento favorável, com mais de 80 mercados habilitados e uma abertura de destinos que qualificou como "sem precedentes" na história do país.

Também ressaltou o fortalecimento do sistema sanitário e de rastreabilidade, bem como a chegada de novos investimentos ao setor carneeiro.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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