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Paraguai

Cañonero Paraguay e Capitão Cabral: um século de revoluções, Perón e glória naval

Dois dos navios de guerra mais emblemáticos da Armada Paraguaia visitam Encarnación pela primeira vez em suas histórias

25/08/2026 17:15 4 min lectura 26 visualizações

Itapúa recebe seu segundo Rally Mundial, evento que motivou o primeiro viagem a Encarnación do Cañonero Paraguay (C-1), em seus 96 anos de história, e do Patrullero Capitán Cabral, com 119 anos: dois dos navios de guerra mais emblemáticos e históricos da Armada Paraguaia. Após navegar pelo rio Paraná, atravessando as eclusas de Yacyretá, atracaram pela manhã de sábado 22 de agosto na Costanera de Encarnación.

Esse dia, a experiência de conhecer esses barcos nacionais se converteu em furor, permitindo abordá-los na zona da praia San José (frente ao Museu Memória Viva), com 2.800 visitantes no dia inicial e mais de 8.500 pessoas durante domingo 23. Os navios acompanham o operativo do Rally do Paraguai (27 a 30 de agosto) e seguem abertos ao público esta semana, em horário de 8:00 a 17:00, com acesso livre e gratuito.

Com seus 71 metros de eslora (comprimento), 10,5 metros de manga (largura) e um calado ou altura de 3,20 metros, superando em dobro as dimensões do Patrullero Capitán Cabral; o Cañonero Paraguay é, por ligeira margem, o favorito dos visitantes encarnacenos, hoje convertido em navio escola. Além disso, sua capacidade de alojamento é para 1.600 pessoas, possui uma velocidade máxima de 17 nós, que equivale a uns 25,9 quilômetros por hora, e um deslocamento de até 865 toneladas em plena carga.

Guerra do Chaco

Projetado no final da década de 1920 pelo marinheiro e engenheiro naval paraguaio José Bozzano, foi encomendado pelo governo de Eligio Ayala (1924-1928) ante o iminente conflito pelo Chaco; e seus planos se materializaram na Itália, construído pelo estaleiro Cantieri navali Odero, junto com seu navio gêmeo, o Humaitá (C-2). Em 1930 foi lançado em Gênova e chegou ao porto de Assunção em 5 de maio de 1931.

Pouco mais de um ano depois se iniciou a guerra com a Bolívia, situação em que ambos os canhoneiros foram chave na logística de defesa nacional. Segundo as estatísticas militares, o Cañonero Paraguay realizou 81 viagens aos portos do norte (como Puerto Casado) e transportou mais de 51.000 soldados até a frente de batalha, além de contribuir como defesa antiaérea, patrulhamento, escolta de comboios, transporte de suprimentos, prisioneiros e armamento.

Asilo e tragédia

Desde 1942 viajava a Buenos Aires para reparos e manutenção em seus estaleiros navais, menciona uma crônica de Infobea. Durante a guerra civil paraguaia de 1947, a "Revolução do 47", encontrava-se nesses trabalhos no Porto Novo da capital argentina, se sublevou lá e retornou ao país para lutar contra o governo de Higinio Morínigo, mas, ante a derrota rebelde, se entregou em Ituzaingó, Corrientes.

Em setembro de 1955, o Cañonero Paraguay teve um curioso episódio histórico enquanto se encontrava em reparos em Buenos Aires, quando ocorreu o golpe cívico-militar autodenominado "Revolução Libertadora" que derrubou o presidente argentino Juan Domingo Perón. O general buscou refúgio diplomático na Embaixada do Paraguai em Buenos Aires e foi trasladado até o navio paraguaio, que se manteve no estaleiro portenho, até que um hidroavião enviado pelo Governo paraguaio resgatou a Perón, em 2 de outubro, e o trouxe a Assunção. Um mês depois voou ao Panamá em um exílio que se prolongaria durante quase 18 anos.

Por sua vez, o navio ia enfrentar sua tragédia: em 19 de abril de 1968, uma grave explosão em uma de suas caldeiras na sala de máquinas causou a morte de sete marinheiros e deixou o navio sem propulsão. Isso obrigou a que permanecesse amarrado como unidade flutuante e inativa durante 55 anos. Desde 1983, os canhoneiros gêmeos deixaram de ser operáveis. Em setembro de 2000, ancorado na baía de Assunção, o Humaitá permanece como museu flutuante e símbolo da história naval paraguaia.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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