Brasil sente o impacto da China e UE: menos confinamentos e boi gordo a caminho dos US$ 4 na carne
Brasil começou a sentir os primeiros efeitos concretos do iminente esgotamento da cota de exportação de carne bovina para a China, cenário que já gera mudanças nas decisões da indústria frigorífica e dos produtores, ao mesmo tempo que pressiona para baixo o preço do gado.
Andrés Oyhenard, editor de Faxcarne, apontou que o setor privado brasileiro já trabalha com a certeza de que a cota se completará nos primeiros dias de julho, considerando a carne que já está em trânsito e os embarques que entrarão durante os próximos dias.
"A data que manejávamos se mantém sem mudanças. O setor já tem uma referência bastante clara dos navios que estão em trânsito e da carne que está chegando na China", explicou.
A incerteza sobre o destino da produção começou a se trasladar rapidamente ao mercado interno. Segundo Oyhenard, em distintas regiões do Brasil já se observa uma menor intenção de realizar novos confinamentos de gado, apesar de a relação entre o preço da carne e os grãos continuar sendo favorável.
O motivo é a incerteza a respeito do valor que terá o gado terminado e, sobretudo, a capacidade que terá Brasil para colocar grandes volumes de carne em outros mercados durante o próximo trimestre.
A este cenário se soma que algumas indústrias frigoríficas já avaliam reduzir os dias de abate e até mesmo conceder licenças ao pessoal, uma ferramenta utilizada habitualmente quando aparecem dificuldades comerciais de magnitude.
Para Oyhenard, trata-se de uma situação inédita para o principal exportador mundial de carne bovina, já que é a primeira vez que a China aplica um mecanismo de cotas que limita a entrada do produto brasileiro.
As consequências também começaram a se refletir com clareza no mercado do gado gordo.
No início de maio, a média dos principais estados exportadores brasileiros se situava em torno de US$ 4,70 por quilo carcaça. Contudo, em poucas semanas o valor desceu até US$ 4,27 e continua mostrando uma tendência de queda.
De acordo com a análise de Faxcarne, Brasil está a caminho de um boi gordo no entorno de US$ 4 por quilo carcaça, um nível que não se observava desde os primeiros meses do ano, quando o mercado cotizava entre US$ 3,80 e US$ 3,90.
"É uma queda muito importante a que sofreu o preço do gado nas últimas quatro semanas e ainda não está muito claro onde está o piso", advertiu Oyhenard.
Se se concretizar um boi gordo no eixo dos US$ 4 por quilo carcaça, Brasil ficaria praticamente um dólar abaixo do valor que hoje recebe o produtor paraguaio, onde o novilho de exportação se negocia em torno de US$ 5 por quilo carcaça.
Embora essa diferença melhore a competitividade relativa da indústria brasileira no mercado internacional, também reflete o forte ajuste que atravessa o principal exportador mundial de carne bovina.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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