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Economia

Brasil perdeu quase 4 milhões de bovinos em um ano e seu rebanho caiu ao menor nível desde 2022

12/10/2026 00:00 3 min lectura 60 visualizações

O estoque bovino do Brasil voltou a recuar durante 2025 e acumulou seu segundo ano consecutivo de contração, em um cenário marcado pelos elevados níveis de abate, especialmente de fêmeas. O maior produtor e exportador mundial de carne bovina fechou o último exercício com 234,3 milhões de cabeças, uma redução de 1,7% em relação a 2024, segundo os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com as informações publicadas pela Faxcarne, com base na Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do IBGE, o rebanho brasileiro atingiu seu menor nível desde 2022, quando contabilizava 234,9 milhões de animais. A nova queda representa uma redução próxima a quatro milhões de bovinos em comparação com o exercício anterior e confirma o impacto que está tendo o elevado ritmo de extração sobre as existências pecuárias.

O comportamento do estoque está diretamente relacionado com a forte atividade da indústria frigorífica durante os últimos anos. Segundo o IBGE, Brasil registrou em 2025 um abate recorde de 42,94 milhões de bovinos, um incremento de 8,2% interanual, equivalente a 3,25 milhões de animais adicionais em relação a 2024. Por sua vez, o abate de fêmeas aumentou 18,2%, completando quatro anos consecutivos de crescimento, de acordo com os dados divulgados pela Faxcarne.

A elevada participação de matrizes no abate constitui uma das principais variáveis para compreender o comportamento do rebanho brasileiro. Embora este processo tenha permitido sustentar uma importante oferta de carne durante os últimos exercícios, também reduziu parte da base reprodutiva, uma situação que adquire relevância diante das perspectivas de recomposição do estoque e da disponibilidade futura de animais para a indústria.

O centro-oeste liderou a redução do rebanho

A contração das existências bovinas se estendeu praticamente a todo o território brasileiro, embora com diferenças importantes entre as principais regiões produtoras.

Segundo os dados compilados pela Faxcarne, o centro-oeste, principal polo pecuário do Brasil, registrou uma diminuição de 3,7% durante 2025 e completou seu terceiro ano consecutivo de queda. O rebanho desta região se situou em 72,2 milhões de cabeças, equivalentes a 30,8% das existências nacionais.

Por sua vez, a região norte registrou uma diminuição de 1,8%, até 63,4 milhões de animais. O sudeste recuou 1%, com 37,3 milhões de cabeças, enquanto o sul apresentou uma queda de 1,7%, até 24,1 milhões.

A única exceção foi o nordeste brasileiro, onde as existências aumentaram 2,2%, até alcançar 37,3 milhões de bovinos. Desta forma, quatro das cinco grandes regiões do Brasil finalizaram 2025 com um rebanho inferior ao do exercício anterior.

A retenção de fêmeas começa a marcar o novo ciclo pecuário

Para além dos dados correspondentes a 2025, os primeiros indicadores do ano em curso sugerem uma mudança na dinâmica do mercado pecuário brasileiro. A redução nos níveis de abate registrada nos últimos meses de 2025 e nos primeiros de 2026 sinalizaria o início de um processo de retenção de fêmeas, fenômeno comum nos ciclos de recomposição de rebanhos.

Este comportamento reflete as pressões existentes sobre a base reprodutiva e as perspectivas de escassez de oferta que podem surgir caso a contração continue durante 2026. A indústria frigorífica brasileira, após anos de elevada atividade, enfrentaria assim um cenário de menor disponibilidade de animais para abate, fenômeno que já começaria a se manifestar nos dados mais recentes.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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