Bolívia: anuladas ordens de captura contra líderes sindicais
Anulação de mandatos de captura
A Justiça da Bolívia anulou as ordens de captura que pesavam sobre dois líderes sindicais que participam ativamente nas protestas contra o governo atual. Mario Argollo, chefe da Central Obrera Boliviana (COB), e Vicente Salazar, líder dos camponeses aimarás conhecidos como Ponchos Rojos, ficaram sem mandatos de detenção após uma audiência judicial.
Gabriel Mena, secretário de comunicação da COB, confirmou que os juízes determinaram levantar as ordens de prisão contra ambos os líderes. Esta ação representa um passo importante no processo de negociação, já que a revogação dos mandatos era uma condição explícita dos setores em protesto para iniciar diálogos com o governo.
Contexto das negociações
Os operários e camponeses mantêm protestas exigindo soluções para a pior crise econômica do país em quatro décadas, bem como mudanças na administração atual. Até o momento, tinham se recusado a dialogar com o governo, considerando que a anulação das ordens de captura era um requisito prévio indispensável.
O governo manifestou sua disposição de negociar. O presidente convidou os principais sindicatos e organizações campesinas a participar de mesas de diálogo, advertindo que, caso não haja resposta, serão aplicadas medidas legais. O vice-presidente, por sua vez, instalou uma comissão de diálogo que inclui representantes do governo, parlamento, Igreja católica e Defensoria do Povo.
Situação no território
Os protestos incluem bloqueios de rodovias que geraram desabastecimento em vários setores. Foram reportados mais de 70 bloqueios de rodovias no país segundo relatórios da Administradora Boliviana de Rodovias, cifra que aumentou durante os últimos dias. Esta situação afetou a disponibilidade de alimentos, combustíveis e medicamentos nas principais cidades.
Os setores em protesto convocaram um congresso operário para este final de semana, onde as bases discutirão e decidirão sobre a possibilidade de participar de negociações formais com o governo.
A anulação dos mandatos de detenção representa um avanço nas gestões para estabelecer canais de diálogo entre o governo e os setores mobilizados
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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