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Paraguai

Batata roxa retorna aos cultivos de Caaguazú com potencial comercial

Dez famílias indígenas Mbya Guaraní retomam o cultivo ancestral do Jety Karau, buscando recuperar a presença no consumo cotidiano e no mercado nacional

06/06/2026 14:15 3 min lectura 36 visualizações
Batata morada retorna a los cultivos de Caaguazú con potencial comercial

Recuperação de cultivo ancestral

Aproximadamente dez famílias indígenas Mbya Guaraní do departamento de Caaguazú retomaram o cultivo da batata roxa, conhecida localmente como Jety Karau. Trata-se de uma variedade nativa ancestral que faz parte da alimentação tradicional dessas comunidades e que atualmente busca recuperar espaço tanto no consumo cotidiano quanto no mercado nacional.

Como parte dessas iniciativas de recuperação de cultivos tradicionais, as comunidades também impulsionam o cultivo do milho roxo, fortalecendo assim a preservação do patrimônio agrícola indígena.

Existe um renovado interesse em torno dessa variedade de batata, considerada de alto valor nutricional. Segundo explicou Jarýi Sara Benítez, que trabalha na comunidade, o Jety Karau foi perdendo presença com o passar do tempo devido à substituição por outros cultivos e alimentos. O processo de recuperação de sementes levou tempo, mas atualmente cerca de dez famílias indígenas já o produzem com entusiasmo.

É um cultivo ancestral. Só que com o tempo foi desaparecendo ao ser substituído por outro tipo de cultivos ou alimentos. Recuperar a semente levou seu tempo e hoje dia cerca de 10 famílias indígenas já estão o produzindo com muito entusiasmo, esperamos que o interesse aumente e com ela a área de plantio

Propriedades e usos alimentares

A batata roxa possui múltiplas aplicações na alimentação e na medicina tradicional. As mulheres gestantes a consomem assada sob cinzas com o objetivo de aumentar o leite materno, enquanto que pessoas com diabetes a consomem cozida no vapor e resfriada. As folhas são utilizadas para apaziguar a acidez estomacal.

Seu uso culinário é amplo e versátil. Pode ser consumida cozida, no vapor, assada, com mel, em doces, molhos ou em preparações como nhoque. É um alimento muito completo que sustentou por gerações as casas indígenas, segundo o expresso por Benítez.

O ciclo de produção dessa variedade vai de julho a setembro, e a primeira colheita é obtida a partir dos seis meses de plantio.

Primeiras experiências de comercialização

Quanto à comercialização, o objetivo principal nesta etapa é reincorporar o Jety Karau à alimentação cotidiana das famílias indígenas, enquanto se fortalece uma produção com capacidade para gerar excedentes destinados à venda.

As comunidades estão realizando uma primeira experiência com a confeitaria Karu, que inclui em seu cardápio nhoque elaborado com essa variedade. Essa iniciativa representa um passo importante para a viabilidade comercial do cultivo.

De momento buscamos que as famílias das comunidades o voltem a incluir em sua alimentação cotidiana e apontamos a produzir com capacidade para excedente e comercializá-lo. O único modo de voltar sustentável algo é fazendo que à sociedade lhe agrade, goste e convenha

Contexto nacional do cultivo de batata

Segundo o Instituto Paraguaio de Tecnologia Agrária (IPTA), a baixa produtividade e a escassa informação do cultivo são algumas das causas da diminuição das superfícies plantadas e de seu rendimento.

De acordo com dados do Censo Agropecuário Nacional 2022, comparados com os do Censo Agropecuário Nacional 2008, a superfície cultivada de batata ronda entre 20.000 e 25.000 hectares aproximadamente.

Benítez assinalou que as comunidades sentem a necessidade de recuperar seu patrimônio alimentar autóctone e que iniciativas como essa representam um passo importante para a preservação de variedades tradicionais que enfrentam desafios similares.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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