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Economia

Aumento do déficit público confirma o manejo desorganizado

09/08/2026 16:45 3 min lectura 20 visualizações

A credibilidade macroeconômica do Paraguai esteve historicamente ancorada em seu equilíbrio fiscal, materializada na Lei de Responsabilidade Fiscal. Contudo, a gestão das finanças públicas enfrenta pela segunda vez passivos não registrados.

Com efeito, um dos indicadores mais importantes como do déficit fiscal se corrigirá para cima de maneira significativa, passando de um limite desejado de 1,5% do PIB para mais do dobro com uma estimativa de 3,2% em 2026 e 3,9% em 2027.

Segundo os dados oficiais, se se extrai o componente de amortização de dívidas atrasadas, o déficit público em 2026 seria de 2%. A diferença de 1,2 pontos percentuais está explicada pela gestão de dívidas com fornecedores do Estado não incorporados às contas públicas em seu devido tempo. Uma dinâmica similar se observará em 2027, elevando o indicador a 3,9%.

O setor sanitário e farmacêutico representa o grosso da dívida com um passivo de USD 1.050 milhões. O atraso nestes pagamentos não só gera tensões contábeis, como também coloca em risco o fornecimento contínuo de medicamentos e insumos básicos para o sistema de saúde pública, ameaçando aprofundar uma crise sanitária.

O setor de obras públicas (MOPC) concentra os restantes USD 220 milhões. A falta de pagamento às empresas construtoras tem um efeito recessivo direto, paralisando a formação bruta de capital fixo, destruindo empregos no ramo da construção e desacelerando o crescimento econômico potencial.

Para fazer frente a este choque de passivos, o Ministério de Economia propõe saldar a dívida com as empresas farmacêuticas com a cessão de direitos de cobrança através do sistema financeiro privado. O Governo estima colocar entre USD 400 e USD 450 milhões sob esta modalidade. Na prática, os bancos compram a dívida, injetando recursos às farmacêuticas, enquanto o Estado assume o compromisso de reembolsar às entidades financeiras em um prazo amortizado de 36 meses.

Para o saldo restante que inclui parte da dívida de saúde e a totalidade de obras públicas, o MEF propõe recorrer a ferramentas tradicionais: Emissão de bônus soberanos ou a aquisição de créditos multilaterais, processos que exigirão a autorização do Congresso Nacional.

O desafio da convergência não reside unicamente na gestão do gasto, mas também no comportamento das receitas públicas. As receitas mostram sinais negativos pela estagnação das arrecadações fiscais e as menores receitas provenientes das entidades hidrelétricas binacionais (Itaipu e Yacyretá).

Adicionalmente a estes problemas se agrega a qualidade do gasto, já que grande parte da dívida inclui sobrecustos, implicam má qualidade dos bens e serviços contratados e péssima gestão dos contratos, tal como se está evidenciando na gestão do Instituto de Previdência Social.

Infelizmente, ainda que se suponha que haja uma solução para o problema, terá um efeito negativo importante na oferta pública de serviços, aprofundando a dívida social que o Estado mantém com a cidadania.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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