Auditoria da Controladoria identifica deficiências em protocolos do IPS ante insolvências bancárias
Carência de protocolos internos
Uma auditoria realizada pela Controladoria Geral da República revela que o Instituto de Previsão Social carece de protocolos internos específicos ante eventuais insolvências dos bancos depositários. A análise também evidencia que os fundos em guaranis colocados em entidades com classificação AAA declinaram para 15,36%, enquanto a carteira se concentra majoritariamente em bancos com nota AA.
Ante requerimentos formais da Controladoria sobre os procedimentos para recuperar capital e juros em cenários de inadimplência, insolvência ou quebra de entidades financeiras receptoras de certificados de depósito de poupança (CDA), o Instituto de Previsão Social admitiu não contar com protocolos internos específicos. A previdenciária informou que se remete exclusivamente ao disposto na Lei Nº 2334/2003 de Garantia de Depósitos.
O Instituto não estabelece os procedimentos e protocolos para a recuperação do capital investido e dos juros pactuados em caso de inadimplemento de pagamento, insolvência ou quebra das entidades financeiras receptoras de CDA, dado que se encontram estabelecidos na lei de garantia de depósitos.
A Controladoria ressaltou que a gestão das reservas do Fundo Comum de Aposentadorias e Pensões exige o cumprimento estrito dos princípios de segurança, diversificação e administração de riscos fixados na Lei Nº 98/92 e na Lei Nº 7235/23. O órgão controlador enfatizou que carecer de mecanismos internos de resguardo e monitoramento preventivo expõe as reservas a contingências de contraparte a longo prazo.
Migração de fundos para bancos de menor solvência
A análise das colocações em CDA evidenciou uma paulatina migração dos fundos em moeda nacional desde bancos de máxima solvência para entidades com menor classificação de risco. Na carteira em guaranis, a participação dos CDA em bancos com classificação AAA diminuiu de 22,72% em 2023 para 15,36% ao fechamento de 2025, o que representa uma queda de 7,36 pontos percentuais.
Em contrapartida, a categoria AA (Alta Solvência) se consolidou como a predominante no portfólio em guaranis, passando de 63,54% em 2023 para 75,32% em 2025. Por sua vez, os depósitos em bancos com classificação A (Boa Solvência) caíram de 13,74% em 2023 para 9,32% em 2025.
Em moeda estrangeira, a categoria AAA apresentou uma subida de 9,63% em 2024 para 17,12% em 2025, impulsionada em parte pela absorção de Banco Río por parte de Banco Continental. A categoria AA alcançou 64,65% enquanto a categoria A se reduziu de 40,55% em 2023 para 18,23% em 2025.
Mudanças sem planejamento deliberado
Um achado significativo da auditoria é que a redução de fundos em bancos com nota A e a expansão na categoria AA não obedeceram a uma política ativa nem a uma decisão voluntária de desinvestimento por parte da administração do IPS.
Segundo a Controladoria, este reordenamento foi consequência da melhoria nas classificações de risco outorgadas pelas classificadoras a entidades como Ueno Bank e Banco Familiar, as quais ascenderam da categoria A para AA. Isso resultou em que os fundos previamente colocados nessas entidades se reubicassem automaticamente na faixa AA, incrementando a concentração neste segmento sem que existisse uma reestruturação planejada do risco por parte do instituto previdenciário.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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