Atome aguarda proposta da ANDE para que histórico investimento não desabe
As negociações que definirão a chegada de um dos investimentos privados mais importantes dos últimos tempos no Paraguai seguem em um ponto de indefinição. A empresa de origem britânica Atome, a Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) e o Ministério da Indústria e Comércio (MIC) mantêm abertas as conversas, com um único e decisivo ponto na agenda que é acordar a tarifa elétrica que satisfaça aos investidores e à estatal.
O custo da energia é o fator determinante para confirmar a viabilidade financeira e instalação definitiva da empresa em território paraguaio. Até o momento, o hermetismo marca o ritmo das negociações, mas desde o setor privado cobram definições para não arrefecer o interesse do capital estrangeiro.
Em declarações ao Diário Última Hora, James Spalding, representante de Atome no Paraguai, deixou claro que a vontade de concretizar o projeto segue firme por parte dos financiadores que respaldam a operação.
"Existem os acionistas e os credores, e seguem abertos ao diálogo para evitar que um investimento privado histórico e emblemático desabe", advertiu Spalding.O peso desses atores não é menor; o projeto conta com o respaldo de um consórcio de acionistas de peso global que inclui Hy24, IFC (junto ao GCF), DEG, IFDK e o banco local Sudameris. Além disso, a estrutura de dívida está apoiada por gigantes multilaterais como o BID Invest, o próprio IFC, FMO e o Banco Europeu de Investimentos (BEI).
Indefinição Apesar da boa predisposição dos mercados internacionais, o gargalo atual reside na falta de um documento formal por parte do Estado paraguaio que permita à Atome estruturar seus custos operacionais a longo prazo.
"Não contamos com uma proposta oficial da ANDE, que entendemos estar vendo alternativas com o MIC", precisou Spalding. Esta declaração evidencia que as autoridades estatais se encontram em uma etapa de análise interna, buscando uma fórmula tarifária que resulte atrativa para a captação deste mega investimento sem comprometer as finanças da empresa elétrica estatal.
O desfecho destas conversas em três vias (ANDE, MIC e Atome) será crucial nas próximas semanas. Se conseguir um ponto de equilíbrio na tarifa energética, o Paraguai poderia concretizar um marco na atração de capital estrangeiro direto. Caso contrário, o país corre o risco de ver como o consórcio de acionistas e credores redireciona seu investimento "histórico e emblemático", conforme foi advertido pelo Conselho Assessor Empresarial.
Tarifa. Investidores aspiram recuperar seu investimento em um prazo de 10 anos. A tarifa fixa de USD 30 por megavatio hora (MWh) é o valor pretendido por Atome. Para a multinacional, assegurar este preço fixado em dólares e congelado é um fator determinante para liberar os cerca de USD 420 milhões em créditos necessários para construir a planta de fertilizantes verdes em Villeta. Desde a perspectiva de Atome, esta tarifa é um negócio "ganha-ganha" que deixaria margens de rentabilidade à ANDE.
Por outro lado, desde a ANDE sustentam que resulta financeiramente inviável otorgar uma tarifa congelada, ao considerar que durante os próximos anos o custo da geração se incrementará. A situação financeira da estatal não é a ideal.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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