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Paraguai

Asunção desperdiça valioso espaço recreativo do Parque da Solidariedade

Após 13 anos de funcionamento, o parque está em estado de abandono absoluto, com infraestrutura degradada e segurança comprometida

29/08/2026 10:45 4 min lectura 14 visualizações

Em 2017, um artigo deste jornal anunciava a seguinte manchete: "A cidade que virá". A reportagem tratava sobre os planos para transformar a zona do Porto de Asunção em um polo de reativação do centro da cidade.

Lamentavelmente, pela negligência e irresponsabilidade de quem governa o país, estes projetos ficaram truncados, negando aos paraguaios ter espaços recreativos, verdes, públicos e seguros para desfrutar de nossa baía.

Dentro do programa Reconversão Urbana e Metrobús, que era conduzido pelo Ministério de Obras Públicas, e baseado em um Plano Mestre do Porto de Asunção, tinham sido prometidas modernas torres ediliças que seriam sede de seis ministérios; transporte multimodal, Metrobús – e sabemos agora que ficou frustrado apesar dos milhões que custou ao Estado –, renovação total do Porto e um parque junto ao rio.

Aquela cidade que tinham prometido com grandes projetos nunca se tornou realidade.

Inaugurado com certa solenidade em 2013, meses depois do julgamento político do presidente Fernando Lugo, é possível que aquela mudança de autoridades tenha marcado o destino final que tiveram muitos dos grandes projetos previstos para esta zona, em particular o Parque da Solidariedade.

Depois de 13 anos de ter sido habilitado e após um fechamento temporário, o estado de abandono neste 2026 é absoluto.

O acesso ao parque está localizado na esquina da avenida Stella Maris e Tenente César Díaz, mas ingressar no local representaria um grave perigo para o visitante. O interior é considerado uma zona vermelha pelos vizinhos, e à noite reina a escuridão, além da presença de dependentes químicos.

O mobiliário urbano que havia sido instalado, os banheiros e os jogos infantis exibem os sinais de desgaste e ruína, e apesar dos sucessivos reclamos dos vizinhos, nem ao Governo central nem à prefeitura de Asunção importa um espaço com potencial tão valioso para os cidadãos.

Lembremos que, na cronologia do parque, em 2019 procedeu-se ao fechamento pelas obras da estação de tratamento de águas residuais, bem como para os trabalhos de instalação de plantas compactas potabilizadoras da Empresa de Serviços Sanitários do Paraguai SA (Essap).

A promessa havia sido que o Plano Mestre de Reconversão do Porto de Asunção contemplava a renovação do parque, com estacionamento e áreas de lazer, um parque fluvial e um sistema de controle de inundações. Contudo, o local continua abandonado, apesar de vários ministérios já terem se trasladado para o complexo de ministérios na zona do Porto de Asunção.

No Paraguai, as cidades estão sofrendo um grave retrocesso, já que em vez de se tornarem espaços acolhedores para as pessoas, tornam-se tudo o oposto. No caso específico de Asunção, não somente está concebida sem espaços verdes públicos para a recreação da população, senão que além disso o conceito urbano que predomina está pensado para privilegiar a mobilidade do automóvel. Os planejadores e, especialmente, as autoridades tanto do MOPC quanto da Prefeitura esquecem do pedestre e de outro tipo de mobilidade como é a bicicleta; fundamentalmente não se prioriza uma infraestrutura que dignifique a vida dos cidadãos.

É urgente que se detenha o processo de abandono e degradação do Centro Histórico, que se possa recuperar parte da história da cidade e que os asunceños e os visitantes possam desfrutar de um ambiente limpo e seguro. Recentemente fomos testemunhas de que quando os vizinhos se organizam são ouvidos pelas autoridades; é o caso da Praça Uruguaia, onde se evitou a derrubada indiscriminada de árvores.

Falta mais participação das pessoas para reclamar às autoridades espaços verdes, espaços recreativos para a família, parques e costaneiras destinados ao disfrute.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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