Ásia acelera sua aposta pela robótica e inteligência artificial
Uma corrida tecnológica em expansão
China, Japão, Coreia do Sul e Taiwan aceleram sua aposta pela robótica e inteligência artificial corporeizada, uma corrida na qual cada um parte com fortalezas distintas, desde a produção em larga escala até os chips avançados e a automatização industrial.
Governos e grandes empresas mobilizam investimentos milionários para levar os robôs a fábricas e serviços, embora sua autonomia, confiabilidade e rentabilidade ainda apresentem desafios para uma implantação generalizada.
China: potência industrial em humanoides
China chega a essa corrida apoiada em uma grande base industrial. Em 2024 instalou 295.000 robôs industriais, representando 54% do total global, e superou os dois milhões operativos, segundo a Federação Internacional de Robótica.
Pequim busca transferir essa capacidade aos humanoides e à inteligência corporeizada. Segundo um recente relatório do instituto chinês CCID, o país concentrou cerca de 14.400 dos 17.000 humanoides enviados em 2025, correspondendo a mais de 80% da produção mundial, e seu mercado movimentou 1.550 milhões de yuans (231 milhões de dólares), 53,8% do total mundial.
A vantagem competitiva chinesa reside em uma rede consolidada de fornecedores de motores, baterias, componentes eletrônicos e sistemas de controle, compartilhada com a indústria de veículos elétricos.
Não obstante, na última Conferência Mundial de Robótica de Pequim constatou-se que as máquinas podiam classificar pacotes, dobrar roupas ou recolher lixo, embora trabalhassem mais lentamente que uma pessoa e cometessem erros.
Seu fundador Unitree, Wang Xingxing, calcula que os humanoides levarão entre dois e dez anos para completar 80% das tarefas em ambientes desconhecidos. O Governo aspira a validar mais de cem cenários e criar antes do final de 2026 capacidade para deslocar 10.000 robôs. A autonomia, a confiabilidade e o trabalho prolongado fora de ambientes controlados continuam sendo desafios tecnológicos significativos.
Taiwan: chips e fabricação integrada
Taiwan abriga grandes fabricantes eletrônicos por contrato, como Foxconn e Wistron, capazes de integrar e escalar sistemas complexos a baixo custo, e é sede da TSMC, produtora dos chips avançados que alimentam os sistemas de inteligência dos humanoides.
O Governo planeja investir cerca de 627 milhões de dólares até 2029 para impulsionar a indústria robótica e em abril inaugurou o Centro Nacional de Robótica e Inteligência Artificial, concebido para promover a pesquisa e desenvolvimento e servir como banco de testes.
Contudo, estudos especializados advertem que a falta de demanda, a ausência de incentivos financeiros e a imaturidade tecnológica dos humanoides são barreiras para investir nas cadeias de suprimento taiwanesas e ampliá-las.
Coreia do Sul: manufatura em larga escala
Coreia do Sul busca ampliar o uso de robôs em sua indústria e se converter em uma potência capaz de fabricá-los e exportá-los, dentro de uma estratégia governamental que aposta na inteligência artificial física, junto com os semicondutores e os centros de dados de IA.
O Governo anunciou em junho investimentos de aproximadamente um trilhão de dólares nesses três pilares, com a participação de conglomerados como Hyundai Motor e Samsung, que prevê destinar cerca de 38.912 milhões de dólares a projetos industriais, incluída a produção em massa de humanoides.
Hyundai prepara um complexo de fabricação de robôs na Coreia do Sul com capacidade para aproximadamente 30.000 unidades anuais. O conglomerado, que controla a estadunidense Boston Dynamics, criadora do humanoide Atlas, prevê começar em 2028 a introduzi-lo em suas fábricas para otimizar processos de produção.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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