As empresas paraguaias estão preparadas para atrair fundos internacionais?
(Por Enrique Rivarola. Sócio de Otazú, Weiler & Rivarola (OWR))
Paraguay atravessa uma etapa de importantes oportunidades para atrair investimento. As recentes melhorias nas classificações internacionais de risco refletem uma percepção distinta sobre o país: uma economia mais estável, previsível e com melhores condições para captar capital.
Contudo, alcançar o grau de investimento é apenas o primeiro passo. A pergunta já não é se Paraguay será capaz de atrair novos capitais, mas se as empresas paraguaias estão preparadas para recebê-los.
Durante décadas, grande parte do empreendedorismo paraguaio se desenvolveu em mercados relativamente fechados, com estruturas de governança e gestão frequentemente informais ou tradicionais. Muitas empresas que hoje são referência nacional carecem de práticas de transparência e padronização que os investidores internacionais esperam.
Essa lacuna não é exclusiva do Paraguay, mas é particularmente relevante em um contexto onde a competição global por capital se intensifica. Investidores institucionais, fundos de private equity e venture capital buscam empresas com demonstrações de sustentabilidade financeira, governança corporativa sólida e planos de crescimento escaláveis. Requisitos que vão além de um bom produto ou serviço.
As oportunidades que se abrem para o país exigem que as empresas paraguaias realizem transformações profundas em suas estruturas internas. Isso inclui desde a implementação de sistemas contábeis robustos e auditorias independentes até a conformação de conselhos de administração profissionalizados e a adoção de políticas de responsabilidade social corporativa.
Para empresas em estágios mais iniciais, há boas notícias. O ecossistema de inovação em Paraguay está se desenvolvendo rapidamente, com incubadoras, aceleradoras e fundos de venture capital surgindo como atores cada vez mais relevantes. Essas estruturas frequentemente oferecem mentoria não apenas em produto e modelo de negócio, mas também na preparação para captar investimento.
Paralelamente, as universidades e instituições de educação contínua têm um papel crucial a desempenhar. Cursos em governança corporativa, finanças e conformidade normativa deveriam ser mais acessíveis e promovidos ativamente entre empresários e gestores.
Do lado do setor público, há espaço para políticas que incentivem essa transformação. Benefícios fiscais para empresas que se profissionalizem, programas de capacitação subsidiada, e marcos regulatórios que premiem a transparência poderiam acelerar essa transição.
A realidade é que o acesso ao capital internacional não é garantido apenas pelo melhor ambiente macroeconômico. É necessário que cada empresa tome responsabilidade pelo seu próprio processo de profissionalização. As que conseguirem fazer essa transformação não apenas terão acesso a financiamentos mais baratos e abundantes, mas também ganharão competitividade global ao adotar as melhores práticas de gestão.
Paraguay tem a oportunidade de não apenas receber investimento, mas de construir um tecido empresarial mais robusto e competitivo. Isso depende tanto de políticas públicas inteligentes quanto da disposição das próprias empresas em evoluir.
A pergunta não é se as empresas paraguaias podem se preparar. A pergunta é se querem e se estão dispostas a investir tempo e recursos nessa transformação. Porque as oportunidades, finalmente, vêm para quem se prepara para recebê-las.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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