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Sociedade

As doulas da morte: acompanhantes que transformam o final da vida

13/05/2026 10:45 3 min lectura 0 visualizações
Las doulas de la muerte: acompañantes que transforman el final de la vida

Uma profissão dedicada ao acompanhamento

Rita Ball trabalha em Londres como doula da morte há três anos, apoiando famílias e realizando trabalhos voluntários em casarões de cuidados. Para Ball, segurar a mão de uma pessoa em seus últimos momentos é absolutamente significativo, descrevendo a experiência como "puro" presenciar uma vida que abandona o mundo.

As doulas da morte, também conhecidas como parteras da alma, oferecem um serviço diferenciado ao dos profissionais médicos. Ball aponta que muitas pessoas desconhecem quais ações estão permitidas durante o processo de morte de seus entes queridos. "Percebo um verdadeiro sentimento de alívio quando digo que está bem sustentá-los, beijá-los, pôr música, falar com eles", comenta.

Crescimento exponencial da profissão

Nos últimos 10 anos, as doulas da morte ganharam consideravelmente em popularidade. Emma Clare, diretora executiva de End of Life Doula UK, relata que 114 doulas se uniram à sua organização em 2025, o que representa um aumento significativo comparado com anos anteriores.

Esse crescimento também se reflete no interesse de personalidades públicas. Celebridades como Nicole Kidman e Ruby Wax anunciaram que estão se formando para se tornarem doulas de final de vida. A apresentadora de televisão britânica Davina McCall também expressou sua intenção de se formar nesta disciplina quando se aposentar.

Custos e acessibilidade do serviço

Dependendo do nível de formação, uma doula da morte pode cobrar entre 25 e 45 libras (aproximadamente 30 a 60 dólares estadounidenses) por hora, segundo informação de Emma Clare. Contudo, algumas doulas oferecem seus serviços de maneira gratuita, o que amplia o acesso a diferentes grupos populacionais.

Casos de sucesso: o acompanhamento integral

Fanny Behrens, residente de Devon, entrou em contato com a doula Sarah Parker dez meses antes de seu esposo falecer por câncer. Behrens destaca que Parker foi incrivelmente valiosa durante seu processo de luto, proporcionando um espaço seguro para expressar sua dor sem ser parte da família.

O trabalho das doulas vai além do apoio emocional. Parker encorajou Behrens a abordar perguntas difíceis com seu esposo, tais como onde desejava ser enterrado e como queria que fosse seu funeral. Além disso, assistiu-a nos trâmites administrativos da morte, incluindo contato com funerárias e registro do falecimento.

Parker também se focou no autocuidado de Behrens, lembrando-a da importância de cuidar de sua própria saúde. Com o esposo, explicava com compaixão o processo físico do final da vida, algo que Behrens descreve como tremendamente reconfortante. "Embora não elimine a dor, de alguma forma a normaliza", expressou Behrens.

Recuperando o conhecimento sobre a morte natural

Emma Clare aponta que na sociedade contemporânea perdeu-se muito conhecimento sobre a morte natural. A maioria das pessoas forma sua compreensão sobre o tema através de representações dramáticas em filmes ou de mortes repentinas, o que gera desconhecimento sobre os processos naturais do final da vida.

As doulas trabalham em humanizar e normalizar esta etapa fundamental, permitindo que as pessoas se despeçam de maneira digna e consciente. O silêncio após a morte pode ser profundo, mas as doulas da morte acompanham as pessoas em luto, recordando junto a elas aqueles últimos dias compartilhados.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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