Argentina promulga reforma da lei de geleiras que outorga maior autonomia às províncias
Com a publicação no Boletim Oficial do decreto de promulgação, a reforma da Lei de Geleiras aprovada pelo Congresso argentino no último 9 de abril entrou oficialmente em vigor nesta sexta-feira.
Mudanças na normativa de proteção glacial
A nova lei, impulsionada pelo Governo nacional, outorga às províncias a prerrogativa de determinar as zonas periglaciais (próximas às geleiras) nas quais se podem permitir as atividades mineiras. Esta normativa modifica a Lei de Geleiras aprovada em 2010 na Argentina, que foi pioneira na América Latina e estabeleceu a proteção das geleiras e do ambiente periglacial como reservas estratégicas de água.
Objetivos do desenvolvimento mineiro
O Governo argentino explicou que esta modificação da Lei de Geleiras é necessária para contribuir ao desenvolvimento econômico do país através do impulso ao setor mineiro, que atualmente registra importantes investimentos, principalmente em lítio, cobre e ouro.
As empresas do setor mineiro sustentam que nem todos os ambientes periglaciais constituem "reservas estratégicas de recursos hídricos" que devam ser protegidas, e consideram que uma avaliação caso a caso por parte das províncias poderia habilitar projetos produtivos em áreas próximas às geleiras "sem função hídrica relevante".
Reações e considerações ambientais
A discussão desta lei gerou reações de organizações ambientalistas, que assinalam a importância das reservas de água e destacam os direitos coletivos a um ambiente saudável, consagrados na Constituição nacional da Argentina.
Na Argentina não existe atualmente um registro nacional de projetos mineiros em ambientes glaciais e periglaciais, embora os especialistas ambientais coincidam em que várias áreas de concessão mineira podem afetar as geleiras e suas zonas adjacentes.
Ações judiciais provinciais
O Governo da província de La Pampa apresentou no 9 de abril perante a Justiça um amparo coletivo questionando a reforma da lei de proteção de geleiras, colocando aspectos constitucionais da norma. Em sua apresentação judicial, La Pampa assinalou que, embora não tenha geleiras em seu território, se nutre de água do rio Colorado, que nasce em uma área glacial da Cordilheira dos Andes.
Por sua vez, o juiz federal de Río Gallegos, Claudio Vázquez, acatou uma ação de amparo ambiental apresentada pelo Governo municipal e o Conselho Deliberativo da cidade santacruzenha de El Calafate, localizada na porta de entrada ao Parque Nacional Los Glaciares, onde se encontra a reconhecida geleira Perito Moreno.
A resolução judicial dispõe a suspensão dentro do território de Santa Cruz dos efeitos da reforma da lei de proteção de geleiras. O magistrado ordenou ao Estado nacional que "se abstenha de aplicar, executar ou autorizar, no território da província de Santa Cruz, qualquer ato administrativo ou decisão" baseado na normativa suspensa.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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