Argentina: Milei impõe restrições a jornalistas apesar de restituir acesso à Casa Rosada
Conforme explicou à Agência EFE uma correspondente acreditada na sede do Governo, as autoridades estabeleceram novos controles nos acessos e saídas do edifício e bloquearam o acesso a algumas zonas comuns.
Os quase 60 jornalistas de meios locais e internacionais acreditados na Casa Rosada não poderão mais observar quem entra e sai do edifício, nem se aproximarem dos escritórios de funcionários para fazer perguntas, prática comum há décadas.
O sinal televisivo local TN, que publicou as imagens que desencadearam o bloqueio do acesso à imprensa, denunciou esta segunda-feira que não lhe foi permitido o acesso à conferência do chefe de Gabinete, Manuel Adorni.
Ignacio Salerno, acreditado da TN na sede do Governo, explicou à EFE que as autoridades lhe negaram a entrada esta segunda-feira, enquanto aguarda o avanço de uma denúncia judicial contra ele pela gravação das imagens de áreas comuns e corredores do edifício feitas com uns óculos inteligentes.
Pouco após a divulgação daqueles vídeos, o Governo anunciou o fechamento da sala de imprensa e explicou que se tratou de uma medida "preventiva" em resposta a um caso de "espionagem ilegal".
Em sua conferência desta segunda-feira, Adorni assegurou que o Governo está "plenamente a favor da liberdade de imprensa", embora tenha esclarecido: "Não vamos permitir de forma alguma que por trás dela se cometam atos que coloquem em risco a segurança nacional".
"Lhes pareceria normal que um jornalista se infiltre, por exemplo, na Casa Branca, nos Estados Unidos, com óculos espiões, e não haja nenhum tipo de consequência?", acrescentou Adorni.
Diversos coletivos de imprensa e líderes da oposição repudiaram o bloqueio do acesso dos jornalistas acreditados, entre eles o Foro de Jornalismo Argentino (FOPEA), que apresentou uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
Na semana passada, FOPEA divulgou um informe no qual sinalizou que Argentina registrou 278 ataques contra a imprensa em 2025, com forte protagonismo do Governo de Milei.
As agressões registradas em 2025 não apenas representam a cifra mais elevada desde que FOPEA começou sua medição há quase duas décadas, mas também mostram um aumento de 55% em relação a 2024, quando foram contabilizados 179 ataques.
Argentina perdeu 58 posições desde a chegada de Milei à presidência no ranking de liberdade de imprensa elaborado pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF), chegando ao posto 98, principalmente devido à pressão do Governo, que "a cada momento publica em suas redes que 'não odiamos o suficiente os jornalistas'", conforme expressou na quinta-feira passada o responsável da organização para América Latina, Artur Romeu, na apresentação do informe anual.
"Embora pareça simbólico, tem um efeito social muito importante, mobiliza suas bases e aumenta a hostilidade contra a imprensa", afirmou Romeu.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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