Apresentam projeto para mudar nome de 'clubes calendário'
Proposta busca que instituições paraguaias adotem denominações vinculadas a bairros, distritos e fatos históricos
Em uma entrevista no programa El Extra de Fútbol a lo Grande, Enrique Sánchez confirmou que esta sexta-feira apresentou formalmente ante o Conselho Executivo da APF uma proposta que busca mudar a denominação dos clubes paraguaios cujos nomes correspondem a datas do calendário.
A iniciativa alcança 16 clubes, segundo explicou o próprio dirigente, e propõe que as instituições possam adotar nomes que estejam vinculados com seus bairros, distritos, localidades ou fatos históricos, com o objetivo de gerar uma maior identidade e atratividade. "Não se trata de enterrar a história dos povos, mas pelo contrário, é fortalecer a história dos povos", sustentou.
Sánchez esclareceu que sua proposta não aponta a menosprezar a história das instituições nem pretende gerar uma confrontação com os torcedores. Pelo contrário, considera que substituir uma data por um nome com maior conteúdo histórico poderia permitir que os clubes sejam mais reconhecíveis e despertem maior interesse dentro e fora do país.
Como exemplo mencionou ao 29 de Setembro, sinalizando que uma pessoa no exterior poderia não identificar o significado dessa data, enquanto que um nome como Boquerón poderia despertar imediatamente interesse e levar a conhecer o episódio histórico relacionado com o Fortim. "Vamos contando a história de nossa nação através dos fatos, não através dos números", argumentou.
O dirigente também pôs como exemplo as possibilidades comerciais que poderiam abrir-se para as instituições. Considerou que um clube com uma denominação mais identificável poderia resultar mais atrativo para empresas e potenciais patrocinadores.
Outro dos argumentos centrais de Sánchez está relacionado com o aspecto econômico. O dirigente sustentou que o futebol profissional não pode sustentar-se unicamente com o sentimento dos torcedores e que os clubes necessitam fortalecer seus ingressos mediante incentivos, patrocínios e marketing. "Por que temos que desdenhar do marketing se o marketing é uma ciência?", questionou.
Nesse sentido, pôs como referência a evolução dos ingressos por direitos televisivos para os clubes paraguaios e destacou o crescimento que ocorreu durante os últimos anos sob a presidência de Robert Harrison.
Segundo explicou, há nove anos cada clube recebia aproximadamente 300.000 dólares por ano, enquanto que o montante previsto para o próximo ano alcançaria os 1.800.000 dólares anuais por instituição.
Para Sánchez, esse crescimento demonstra a importância de trabalhar em novas ferramentas de comercialização e posicionamento das instituições.
O dirigente confirmou que a proposta foi apresentada esta sexta-feira ante o Conselho Executivo e que será colocada novamente à consideração na próxima reunião, depois de ter atravessado a correspondente análise jurídica.
Sánchez ressaltou que não pretende apresentar sua postura como uma verdade absoluta nem garante que necessariamente tenha razão. "É o que eu penso. É minha maneira de ver", manifestou, deixando claro que se trata de uma iniciativa pessoal que agora deverá ser analisada pelo órgão colegiado da APF.
A proposta já gera debate entre dirigentes e torcedores, especialmente pelo forte componente histórico e sentimental que têm instituições como 2 de Maio, 3 de Novembro, 3 de Fevereiro, 29 de Setembro e 12 de Outubro, entre outras.
Agora será o Conselho Executivo o que deverá determinar se a iniciativa avança e sob quais condições poderia aplicar-se uma eventual mudança de denominação.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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