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Cultura

Aníbal Ortiz: a trajetória de Coronel Oviedo aos festivais internacionais

29/09/2026 11:15 3 min lectura 21 visualizações

Um começo no interior do Paraguai

A história de Aníbal Ortiz no cinema começa muito antes dos grandes festivais internacionais. Inicia em Coronel Oviedo, uma cidade onde durante anos fazer cinema parecia uma possibilidade distante. Nesse contexto, Ortiz se foi formando entre o teatro e as primeiras experiências audiovisuais de um grupo de jovens comprometidos com contar histórias do interior do país.

Sua formação não se desenvolveu dentro de uma indústria cinematográfica consolidada. Ortiz se vinculou ao teatro e a projetos audiovisuais locais, participou de curtas-metragens e foi construindo sua experiência dentro da pequena comunidade cinematográfica ovetense. A atividade foi crescendo com concursos, oficinas e produções realizadas com recursos limitados.

O impacto de Latas vazias

Latas vazias, dirigida por Hérib Godoy, foi rodada e produzida em Coronel Oviedo com recursos muito limitados. Ortiz interpretou Alfonso, um jovem que busca tesouros enterrados — o conhecido "plata yvyguy" — cuja história transcorre entre a tragédia, a superstição e a vida cotidiana do interior paraguaio. O filme foi realizado com gente da própria comunidade e em boa medida de forma autodidata.

O sucesso da produção superou as expectativas de seus realizadores. Recebeu o prêmio do público no Festival Internacional de Cinema de Assunção e começou um percurso por distintas cidades. Mais de 500 habitantes de Coronel Oviedo viajaram até Assunção para acompanhar sua estreia, um acontecimento que se converteu em um dos momentos mais significativos daquela experiência.

A reabertura do Cine Guaraní

O impacto do filme transcendeu a tela. A repercussão de Latas vazias contribuiu para despertar novamente o interesse pelo cinema em Coronel Oviedo e facilitou a reabertura do antigo Cine Guaraní, que levava anos sem funcionar como sala cinematográfica. Hérib Godoy explicou então que o importante havia sido recuperar entre os ovetenses a experiência de sentar-se frente a uma tela grande, com bom som, e compartilhar um filme com outras pessoas.

Este fato possuía um significado especial para uma cidade que havia crescido praticamente sem salas de cinema. O movimento audiovisual local havia começado anos antes, com um grupo de amigos que realizava curtas-metragens e organizava concursos para estimular estudantes e amadores. Latas vazias foi, nesse sentido, a culminação de um processo que havia iniciado muito tempo atrás.

Consolidação de uma carreira profissional

Para Ortiz, aquele filme significou o início de sua carreira profissional. Posteriormente chegaram outros trabalhos, entre eles A redenção, também dirigida por Godoy, e Matar um morto. Sua trajetória foi se ampliando até desembocar em Narciso, o filme de Marcelo Martinessi que passou pela Berlinale e que agora chega ao Festival de Biarritz.

Ao longo de todos esses trabalhos existe uma constante: o vínculo com o guarani e com uma forma de contar o Paraguai desde seus próprios códigos culturais. Esta perspectiva tem caracterizado o percurso do ator desde seus inícios no movimento audiovisual de Coronel Oviedo até sua projeção em festivais internacionais de relevância.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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