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Economia

Alertam sobre distorção na economia por tipo de câmbio

Presidente da Cispy aponta que guarani se apreciou 25% frente ao dólar em um ano

16/09/2026 16:45 4 min lectura 340 visualizações

Nesse sentido, o presidente da Câmara de Indústrias Sustentáveis do Paraguai (Cispy), Carlos Mangabeira, sustentou que o guarani se apreciou em torno de 25% frente ao dólar em um ano, enquanto que o promédio das principais moedas se fortaleceu cerca de 10%.

Advertiu que a forte apreciação afeta exportadores, indústrias e desenvolvedoras imobiliárias, além de favorecer a entrada de produtos brasileiros e reduzir o valor em guaranis das arrecadações aduaneiras.

O titular da Cispy indicou que o tipo de câmbio atual gera uma distorção na economia paraguaia e estimou que o dólar deveria estar localizado entre G. 6.300 e G. 6.600, frente aos níveis próximos a G. 5.900 registrados atualmente.

Conforme explicou, a apreciação do guarani foi muito superior à registrada pelas principais moedas do mundo. Enquanto o promédio das 20 principais moedas teria registrado uma apreciação próxima a 10% frente ao dólar no último ano, Mangabeira apontou que o guarani se fortaleceu em torno de 25%.

Nós teríamos, ao meu critério, que estar em um dólar que teria que estar entre 6.300 e 6.600
, afirmou.

Ao seu entender, essa diferença evidencia que o guarani se encontra demasiado apreciado e que a situação eventualmente deverá se corrigir. Considerou que, se não ocorrer durante 2026, o ajuste poderia dar-se em 2027.

Intervenção. Mangabeira lembrou que o Banco Central do Paraguai (BCP) interveio no mercado quando o dólar alcançou níveis próximos a G. 8.000, com o objetivo de evitar que a cotização permanecesse em um nível que considerava artificialmente elevado.

Nesse sentido, levantou que, se atualmente o dólar se encontra artificialmente baixo, a autoridade monetária também poderia intervir para lhe dar um impulso de alta e permitir posteriormente que o mercado determine seu nível.

Se hoje não há fundamento para que esteja em G. 5.900, deveria intervir para que isso se corrija e encontre seu nível de G. 6.100, mais ou menos, G. 6.100, G. 6.200, e depois o mercado o coloque onde tenha que colocá-lo
, sustentou.

O principal impacto da apreciação do guarani, segundo Mangabeira, recai sobre o setor exportador. Entre os afetados mencionou as indústrias manufatureiras, os exportadores de carne e as empresas vinculadas à produção e transformação de produtos agrícolas.

O problema reside em que as receitas dessas atividades estão vinculadas ao dólar, enquanto que uma parte importante de seus custos se expressa em guaranis. Uma queda pronunciada do tipo de câmbio reduz assim o valor local das receitas obtidas pelas exportações.

Mas o efeito, conforme explicou, não se limita às empresas que vendem ao exterior. Também alcança setores como a construção e as desenvolvedoras imobiliárias. Como exemplo, mencionou uma desenvolvedora que vendeu apartamentos em planta quando o dólar se encontrava em torno de G. 8.000 e posteriormente deve executar a obra com um tipo de câmbio próximo a G. 5.900.

Não há forma que esse projeto ganhe dinheiro
, afirmou.

O impacto também poderia se trasladar aos novos investimentos. Mangabeira explicou que os projetos que já foram vendidos devem ser executados, mas a situação cambial pode afetar a decisão de iniciar novas obras ou ampliar investimentos.

No caso da indústria exportadora, alertou que uma menor rentabilidade poderia traduzir-se em uma redução dos investimentos, cujos efeitos sobre a capacidade produtiva não necessariamente se observariam de imediato.

Essa falta de investimento você não vai sentir na produção de 2026, vai sentir na produção de 2028, 2029
, apontou.

Guarani forte favorece produtos brasileiros. Outro dos efeitos que destacou é a perda de competitividade da produção paraguaia frente aos produtos brasileiros.

Mangabeira comparou a evolução do guarani com o real brasileiro como exemplo de como a apreciação cambial afeta a economia.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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