Abatidos: Rachid depõe no Senado, mas não apresenta documentos
Ministro da Senad defende operação em Corpus Christi, mas parlamentares apontam inconsistências e falta de provas
O ministro da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), Jalil Rachid, foi convocado pela mesa diretiva de líderes de bancadas do Senado, onde apresentou sua versão sobre o operativo em Corpus Christi, Canindeyú, no qual foram abatidos um líder indígena e um docente.
Em meados de agosto, a Senad matou o docente Catalino Ramón Correa Acevedo e o líder indígena Antonio Carrillo Mancuello, supostamente vinculados à estrutura de Felipe Santiago Acosta, conhecido como Macho; porém, até agora não apresentaram provas disso.
O titular da Senad novamente defendeu o operativo de "surpresa" e falou sobre informações de inteligência, "mas não nos deixou nada documental", explicou o senador Rafael Filizzola, que esteve presente.
Rachid insistiu que "foi um operativo no marco da organização criminosa".
Contudo, para Filizzola e outros parlamentares, as dúvidas persistem, já que o testemunho dos moradores "está respaldado por instituições muito sérias".
A senadora Esperanza Martínez também se manifestou após a reunião: "Algumas coisas ainda me parecem não clarificadas. Há coisas que não fecham, há dúvidas a respeito", afirmou.
É que a Senad deveria realizar um total de 17 intervenções na zona de Corpus Christi, mas ao final apenas uma caminhoneta foi enviada, e os abatidos supostamente a interceptaram.
"Tenho minhas dúvidas sobre as informações oficiais", referiu a legisladora.
A esta versão se opõem vários testemunhos. Existem, por exemplo, notas nas quais o indígena Antonio Carrillo denuncia fatos de assédio e se coloca à disposição do Ministério Público e do Instituto do Indígena (INDI).
Também, o próprio presidente desta instituição fez uma declaração.
"Há demasiados testemunhos que são coincidentes e que fazem com que a versão oficial seja bastante frágil", precisou.
Da mesma forma, Jalil Rachid se mostrou confiante, mas dependente do que o Ministério Público possa investigar, segundo Filizzola.
Investigação interna? Até agora, a Senad não ordenou uma investigação interna sobre o ocorrido. Ele apenas "está dependente do que o Ministério Público dispuser".
O senador analisou que deve haver uma investigação interna, que por sua vez "também ajuda na investigação do Ministério Público, tanto para denunciar se houve irregularidade, se houve excesso, ou para defender o pessoal que faz uso da força de forma legítima", expressou Filizzola.
As irregularidades. O senador também apontou coisas que ninguém consegue explicar: "Por que o próprio médico legista diz que Carrillo e Correa tinham rastros de amarrações nos pulsos e também nos tornozelos?", citou.
Este relatório se inclina mais para o que denunciaram os familiares, de que ambos foram torturados antes de serem abatidos.
Outra questão é que Antonio Carrillo, como não tinha veículo, pediu a Correa que lhe conseguisse um.
Ao final, este último apareceu no lado do carona. "Aparece como acompanhante em seu próprio veículo", questionou Filizzola.
O ministro antidrogas havia dito que as pessoas mortas tinham fuzis de assalto em seu poder e que por isso ocorreu o confronto de tiros.
Sobre isso, o senador falou do disparo que recebeu um agente da Senad, com uma arma 762: "Nós não temos um relatório sobre essas lesões", referiu.
No início do mês, Esmilce Saucedo, viúva do líder indígena Antonio Carrillo, morto às mãos de agentes da Senad no dia 14 de agosto, compareceu ao Congresso e pediu a intervenção de legisladores.
Ali, ela denunciou que ambos os abatidos foram torturados.
"Queremos que se esclareça, eles foram assassinados injustamente, pior que um criminoso, eles não eram criminosos. Todos os conhecem. Há evidências de que os torturaram", apontou Emilce.
Disse que horas antes de o matarem, Antonio subiu ao automóvel de Catalino...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.