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Economia

A tormenta perfeita

04/11/2026 08:00 4 min lectura 21 visualizações

E é que a entidade bancária se vangloriava justamente de que 2 em cada 3 paraguaios eram seus clientes, o que evidentemente agrava a crise, pela quantidade de afetados pela voragem que se criou. Essa gente, de uma noite para outra ficou com dinheiro congelado. Nem sequer conseguiu entrar no aplicativo para sacar suas economias.

A questão foi além. Um dos principais prejudicados é o Instituto de Previsão Social (IPS), já que tem ali mais de USD 300 milhões. A isso se somam entidades binacionais, instituições públicas e privadas, inclusive outros bancos, todos com milhares de milhões investidos em certificados de depósitos de poupança nessa empresa bancária.

Tudo isso nos fez rememorar os que temos mais idade, a crise financeira de 96, quando foram caindo várias instituições bancárias, o que deixou milhares de vítimas. Inclusive, várias delas faleceram pelo estresse que lhes produziu perder suas economias de toda a vida.

No caso do Ueno Bank, o BCP diz que pode devolver o dinheiro a 97% dos poupadores com o Fundo de Garantia de Depósitos, que tem um teto de G. 228.300.000 por pessoa, em um prazo de 15 dias. No Parlamento, enquanto eu escrevia estas linhas, estudavam encurtar esse lapso a 72 horas, com um teto menor.

Isso nos dá um panorama de que a maioria dos clientes cujos fundos ficaram congelados, são a gente que utiliza seus fundos para o dia a dia, pequenos poupadores, microempresários, entre outros.

Não obstante, aos que por sorte não temos contas nessa entidade, igualmente fomos afetados de uma ou outra maneira, já que outras firmas das quais somos clientes têm suas contas nessa instituição financeira, e a situação que se deu paralisa grande parte de suas operações.

Depois, veio a denúncia do próprio Banco Central ante o Ministério Público, que dispôs a conformação de um equipo de promotores que não tardou em dispor a detenção de todas as autoridades do Ueno Bank. Vários deles já se apresentaram.

Inclusive, o BCP logrou uma medida cautelar ante um juiz Civil que dispôs o embargo de uns USD 70 milhões dos bens dos diretivos do banco e das empresas vinculadas, para evitar a possibilidade de diminuição notável da responsabilidade dos possíveis devedores e para proteger as responsabilidades patrimoniais.

A isso se somaram denúncias de advogados particulares ante a Promotoria, além de outros que adiantaram que apresentarão outras ações. Inclusive, se disse que jogadores da seleção nacional de futebol iam processar a entidade.

Se somou logo a renúncia do presidente do BCP, um dos principais responsáveis, segundo vários economistas e entendidos, de tudo isso que se deu.

Veio também o comunicado do vice-presidente da República, Pedro Alliana, que pediu mão dura ao Banco Central e ao Executivo, quando ele mesmo faz parte do Governo.

Somente em horas da tarde o presidente Santiago Peña, ex-acionista do Ueno Bank, e quem colocou o ex-diretivo dessa empresa à frente do BCP, em suas redes sociais anunciou que lhe pediu sua renúncia, além de assinalar que falou com parlamentares para acelerar a lei de emergência financeira. Também disse que quer assegurar os recursos dos fundos públicos, do IPS e das demais caixas previdenciárias.

Lamentavelmente, além de ser pouco crível o que diz, é tido como o grande responsável de tudo isso. Mais quando foi ministro da Fazenda, ex-membro da diretoria do Banco Central e um dos melhor preparados nesse campo. Vários parlamentares já preparam um pedido de impeachment.

Por essas coisas da vida, tudo isso ocorreu em 3 de novembro, que em época da ditadura, muitos diziam que era data feliz pelo aniversário de Alfredo Stroessner. Evidentemente, a tormenta perfeita que se armou terminará na Justiça, onde muitas pessoas devem responder por deixar milhares de vítimas.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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