A credibilidade econômica internacional em jogo
Mas este caso não se joga somente nas agências, joga-se também nos escritórios de São Paulo, Nova York ou Viena, onde analistas e investidores decidem onde colocar seu dinheiro. O Paraguai construiu durante anos uma reputação de ordem macroeconômica, conseguindo o grau de investimento de Moody's em 2024 e de S&P em 2025. Esse prestígio é o que abre a porta para financiamento mais barato para o Estado e as empresas. Contudo, já em outubro Fitch havia piorado a perspectiva dos títulos de Ueno e seus bônus no exterior sofreram uma forte venda.
O impacto vai muito além do nacional. A Conmebol aparece em nono lugar entre os maiores poupadores que possuem Certificados de Depósito de Poupança (CDP). Adicionalmente, em setembro deste ano, Forbes Paraguai anunciava que Ueno bank havia alcançado 510 milhões de dólares em financiamento internacional, com recentes aportes de Finance in Motion, do Banco de Desenvolvimento da Áustria e DW Markets. Seis semanas depois, o banco está intervenido e a credibilidade internacional do Paraguai está em números vermelhos.
A isto se soma o fator político que os meios estrangeiros já destacam. O presidente Santiago Peña foi sócio comercial do Grupo Vázquez, dono do banco, até março de 2025, embora a entidade esclareça que nunca foi acionista nem investidor e tanto ele quanto o banco neguem irregularidades. Além disso, o presidente do BCP, Carlos Carvallo, presidiu Ueno até agosto de 2023 e agora colocou sua renúncia à disposição. Um Banco Central vale por sua credibilidade, sendo o árbitro que diz ao mundo que as contas de um país são confiáveis. Para quem observa de fora, a suspeita de proximidade entre regulador e regulado pesa tanto quanto os balanços.
A história mundial oferece exemplos. Lehman Brothers caiu em 2008 e arrastou a economia global; o histórico banco britânico Barings desabou em 1995 pelas apostas de um único operador; em 2023 quebrou o Silicon Valley Bank e o Credit Suisse precisou ser absorvido pelo UBS. Casos distintos, mas com um padrão repetido de poder concentrado, controles que chegaram tarde e a ilusão de que o dinheiro alheio pode correr riscos sem consequências. Na especulação financeira os lucros costumam ficar em poucas mãos e as perdas se distribuem entre depositantes, aposentados e contribuintes. Em um país pequeno, o golpe se sente mais.
O Banco Central assegura que o problema é de uma única entidade e não do sistema, mas o mundo não olha apenas os números, olha como um país reage quando algo falha. Pagar aos depositantes no prazo, informar com transparência, investigar sem favoritismos e sancionar quem corresponda serão a verdadeira prova. Em definitiva, um país não perde sua reputação por uma crise, mas pela forma como a gerencia.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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